Regional

Polícia investiga plano de execução

Da Redação
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Pederneiras - A Polícia Civil de Pederneiras (26 quilômetros a Leste de Bauru) está investigando um possível crime de ameaça e posse irregular de arma de fogo cometidos pelo ex-prefeito Giácomo Bertolini.

O inquérito foi instaurado na última terça-feira, depois da polícia ter recebido cinco fitas cassetes com supostos diálogos entre o ex-prefeito e um rapaz identificado apenas como José Roberto.

O conteúdo das fitas revelaria um suposto interesse do ex-prefeito em contratar os serviços de José Roberto para matar o também ex-prefeito Fernando Antonio Minguili.

Atualmente, Minguili ocupa o cargo de presidente do PMDB local, é o provedor da Santa Casa e trabalha como diretor no Departamento de Administração, na Prefeitura de Pederneiras.

A conversa teria sido gravada por José Roberto sem que Bertolini, o suposto contratante, soubesse. As fitas foram entregues a Minguili pelo próprio José Roberto, segundo consta do Termo de Declarações assinado pelo diretor municipal na delegacia.

Nele, Minguili relata que foi procurado em sua residência, no fim de abril, por uma pessoa que ele não conhecia, mas que o teria visto algumas vezes no trajeto para sua casa.

Segundo o diretor, o rapaz se apresentou e disse para ele tomar cuidado porque havia uma pessoa com intenção de matá-lo, sem dizer, no entanto, quem era o interessado na sua morte.

Minguili disse não ter se aprofundado no assunto, na ocasião, porque ele estava em casa e temia que outras pessoas ouvissem a conversa.

Depois disso, ele conta que passou a estar constantemente preocupado. Toda vez que um motoqueiro parava ao lado de seu carro em um semáforo, por exemplo, era motivo de grande apreensão.

Ele disse ainda que parou de sair à noite e começou a mudar seu itinerário da casa para o serviço e vice-versa, diariamente. Ainda segundo o Termo de Declarações, Minguili não procurou a polícia na época porque não tinha nenhuma informação concreta e também para não causar medo na família.

No entanto, no último dia 5, ele foi novamente procurado em sua residência por José Roberto, que lhe entregou as cinco fitas cassetes com a suposta conversa com Bertolini.

Depois de ouvir as fitas, Minguili alegou ter sofrido forte abalo emocional, vindo a se sentir mal, em razão de ser hipertenso.

Em seguida, decidiu levar as fitas até o conhecimento de parentes e amigos íntimos de Bertolini, com o objetivo de demovê-lo da idéia de execução.

Em troca das fitas e por entender que José Roberto havia lhe salvado a vida, Minguili o “gratificou” com R$ 10 mil em dinheiro. Esse era o mesmo valor que José Roberto iria receber para matar Minguili.

Valor pago

Em uma das últimas supostas conversas gravadas entre o rapaz e Bertolini, este último teria dito que estava difícil arrumar o dinheiro para pagar pelo serviço. Ao não receber para matar, José Roberto teria usado as fitas para denunciar o ex-prefeito e recebido o mesmo valor por isso, segundo Minguili declarou à polícia.

A polícia também está investigando a suposta posse de uma arma de fogo por Bertolini, que a teria usado posteriormente, supostamente para uma tentativa de suicídio, conforme se comenta na cidade.

Ontem, o JC procurou Bertolini na casa dele, em Pederneiras, mas uma funcionária informou que ele havia saído. Antes, no entanto, ela perguntou quem queria falar com o ex-prefeito e disse que iria ver se ele poderia atender a reportagem.

O delegado Marcio José Alves, que cuida do caso, também foi procurado pelo JC, mas se negou a dar qualquer declaração sobre o assunto. Segundo ele, o inquérito está correndo sob sigilo e só os advogados das partes têm direito a informações. Minguili também não quis se pronunciar.

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Leia trechos das gravações

Leia a seguir alguns trechos das supostas conversas entre José Roberto e o ex-prefeito Giácomo Bertolini, cujo conteúdo está nas fitas cassetes, que ainda não foram periciadas.

Voz 1 - Viu Giácomo, os R$ 10 mil ‘é’ pra executar o Minguili?

Voz 2 - É isso aí! Uma vez consumado, todo mundo vai ficar sabendo. Aí você pode ir lá e pegar (o dinheiro).

Voz 1 - Eu executo o Fernando Minguili com uma bala só?

Voz 2 - Aí o problema é seu. (...) Eu ia oferecer uma bala pra você treinar, mas ‘tá muito velha’ as balas. Não sei se dá tiro bom.

Voz 1 - (sobre a arma que ele teria comprado para executar o serviço) É uma carabina calibre 38 calçada, com silenciador, do jeito que o senhor pediu. Não vai fazer barulho. Ninguém vai ficar sabendo. Coisa rápida. (...) A gente tenta forjar um assalto à mão armada e derruba ele com um tiro no peito, mais dois na cabeça e já era.

Voz 2 - Você conhece bem a peça, né? Não vai errar.

Voz 1 - Não, o Fernando, deixa comigo. Eu ‘tô’ de olho nele. Eu já pesquisei a vida dele, já vi os lugares que ele vai. Vou fazer isso quando ele estiver em Bauru. ‘Nêgo’ vai achar que foi um assalto. Ele tentou reagiu e meteram bala nele.

Abaixo, conversa do dia 24 de maio, 12 dias depois do suposto primeiro contato entre os dois.

Voz 1 - No dia 14 ou 15 do mês seis a gente resolve isso aí.

Voz 2 - Eu tenho que receber primeiro para te dar a ordem final. Senão eu vou pegar de onde? Eu não tenho (dinheiro). (...) Eu ‘tô’ costurando uma coisa que é pra pagar alguma coisa da campanha (eleitoral). Aí então é mais fácil.

Voz 1 - Mas esse dinheiro depois você tira fácil da prefeitura.

Voz 2 - Não vou tirar coisa nenhuma de prefeitura. Nunca tirei nada da prefeitura. Não vou tirar agora. (...) Se ventilar qualquer coisa por aqui eu perco a eleição.

Voz 1 - Isso aí é uma coisa que não vai acontecer. Ainda bem que você veio atrás da gente. Porque se você vai atrás de um qualquer, ‘tá f...’.

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