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Carros são 'sensíveis' ao frio

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Você sabia que os veículos são tão “sentimentais” ao frio como uma pessoa? Isso porque durante os dias “gelados” de outono-inverno aumentam as chances de problemas na hora de dar a partida no automóvel ou em equipamentos que passam a ser mais exigidos nestas estações, como o ar quente ou os desembaçadores. Entretanto, revisões preventivas podem evitar tais dores de cabeça.

Os dias frios de outono-inverno são os responsáveis por tornar o momento da partida, seja em veículos equipados com carburador ou injeção eletrônica, o mais crítico do funcionamento de um automóvel, principalmente para os movidos a álcool em virtude deste combustível possuir menor poder calorífico em relação à gasolina.

“Se tudo estiver bem no automóvel, mesmo no frio na primeira tentativa de partida ele já deve pegar. Caso contrário, há algo errado”, enfatiza o instrutor automotivo Jefferson Luiz Augusto Gomes, da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Teoricamente, os veículos com injeção eletrônica têm menor possibilidade de problemas na partida. “Eles trabalham com sensores que regulam a mistura de combustível”, diz. “Eles incomodam menos pelo fato de serem monitorados por modo eletrônico, mas não quer dizer que não se tenha fazer regularmente um diagnóstico do sistema”, alerta Jefferson.

Já os carburados, principalmente os a álcool, tendem a “sentir” mais os efeitos do clima frio. “Eles não têm a injeção eletrônica para corrigir a mistura conforme a temperatura vai abaixando, mas o afogador, que não corrige o problema e apenas o ameniza”, esclarece o instrutor.

Por isso, o segredo para evitar sofrimentos do gênero é um só: revisão periódica, que deve ser feita obedecendo os períodos recomendados pelos fabricantes e, pelo menos, uma vez por ano. “Um carro regulado e conservado diminui a probabilidade de negar fogo na hora da partida”, considera Jefferson.

Em veículos dotados de injeção eletrônica, a manutenção preventiva deve ter como principal alvo a limpeza deste sistema. “Principalmente os bicos injetores de combustíveis”, ressalta o instrutor. Já naqueles que não contam com este equipamento, a revisão deve centrar forças no carburador.

Além disso, seja nos injetados ou carburados, a atenção também deve ser redobrada com outros componentes igualmente decisivos para uma boa ignição do veículo, como as velas, o filtro de combustível, o nível de óleo do motor, a bateria e o reservatório de gasolina existente nos veículos a álcool e bicombustíveis.

Sobre os dois últimos, Jefferson faz recomendações especiais. Ele orienta evitar a todo custo forçar demasiadamente a partida em caso de falhas na ignição para não desgastar a bateria, cuja vida útil varia entre dois e três anos. “Insistir pode esgotar sua carga, além de prejudicar o motor de partida”, adverte.

Por isso, para garantir a boa “saúde” da bateria é fundamental verificar periodicamente, naquelas que necessitem de manutenção, o nível da solução e se não há formação de zinabre, uma espécie de pó esverdeado, incrustrado nos pólos.

Já com o reservatório de gasolina a preocupação deve ser com a quantidade, a qualidade e o tempo de armazenagem do combustível. “Se esta gasolina está há muito tempo no equipamento, certamente o carro terá problemas para pegar”, afirma Jefferson. “Ela pode permanecer ali, no máximo, seis meses, mas o ideal é abastecer pouco o reservatório para evitar que a gasolina fique velha”, recomenda.

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Ar e desembaçadores

Não é apenas na hora de dar a partida no frio que os automóveis podem apresentar problemas. Eles também podem ocorrer nos equipamentos cuja freqüência de utilização aumenta sensivelmente nas estações frias, como o ar quente e os desembaçadores de vidros.

O instrutor do Senai/Bauru, Jefferson Luiz Augusto Gomes, diz que pequenos cuidados são capazes de garantir a eficiência destes componentes. Com os desembaçadores traseiros, a preocupação deve ser com a integridade dos vidros e, principalmente, dos pequenos filetes de resistência. “Basta checar se eles não estão danificados”, diz.

Já na hora da limpeza, acrescenta Jefferson, a utilização de produtos químicos está proibida. “Eles podem avariar seus componentes. Por isso, use apenas um pano úmido”, recomenda o instrutor.

Já com o ar quente, as atenções devem ser voltadas para o sistema de refrigeração do motor, pois é dele que provém a água para o equipamento entrar em operação. “É imprescindível que o líqüido de arrefecimento esteja com o aditivo adequado, pois evitará a formação de sujeiras e entupimentos”, frisa Jefferson.

Ele esclarece também que os proprietários de carros com ar quente devem adotar outro hábito importante para garantir o funcionamento correto do ar quente. “Sempre que se for sair do carro, mesmo em um dia de calor, deve-se acioná-lo até o momento em que o ar se aquecer e, então, fazer entrar em funcionamento o ar frio. Desta forma, renova-se a água do sistema, evitando mau cheiro característico de líqüido parado e formação de fungos.”

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