A cidade de Pratânia é um bom roteiro para quem precisa se agasalhar nesse inverno. Famosa pela confecção de vestuário e calçados em couro, o município oferece ainda opções de lazer. Emancipada em 97, ela tem cerca de seis mil habitantes e como cidade de pequeno porte tem um ar de simplicidade que conquista todos os visitantes.
Uma visita aos museus de Tinoco, um dos mais famosos artistas sertanejos, e ao de Pedro Bento e Zé da Estrada, uma dupla sertaneja, são boas pedidas para quem gosta de música sertaneja raiz. Outra alternativa é uma visita à Biblioteca "Francisco Marins", com seus 10 mil exemplares.
Mas é em Pratânia que o visitante vai encontrar uma das melhores águas do Estado de São Paulo. “Toda a água de Pratânia é mineral. É a única cidade que os moradores lavam a calçada com água mineral”, se vangloria o prefeito Roque Joner. Porém, é a confecção em couro que atraia mais os mais de mil turistas nos finais de semana de inverno.
A maioria deles cumpre o ritual de compras e sustenta as quatro fábricas do ramo existentes na cidade. As lojas ficam abertas inclusive aos domingos para atender o consumidor. Logo na entrada da cidade estão as três lojas que comercializam os produtos fabricados por elas mesmas com mão-de-obra especializada da cidade.
A mais antiga delas foi fundada em 1934 e dela partiu o treinamento da mão-de-obra que hoje é farta.
Vendas dobraram
Empresário do setor de couro, Mauro Corrêa da Silva ficou surpreso com o frio que emplacou no outono 2004. “Passamos vários anos sem baixas temperaturas, no outono/inverno. Para nós esse período é importante porque é nessas estações que o nosso produto é mais procurado.”
As vendas dobraram e a oferta de emprego caminhou na mesma velocidade, enfatiza o empresário. “Tivemos de dobrar a produção. Não havia previsão de tanto frio. Eu tinha três costureiras terceirizadas trabalhando para a fábrica. Contratei mais duas para dar conta da demanda.” A mão de obra é fator prepoderante para o fabricante. “Nosso acabamento é de primeira e não podemos contratar pessoal que não esteja preparado”, explica.
Na opinião dele, o outono 2004 surpreendeu. “Foi uma surpresa boa para os fabricantes. Aguardamos um inverno rigoroso para terminar a temporada com os estoques zerados.” Silva comenta que tem recebido consumidores de todo o Estado de São Paulo e de todo o Brasil. “Pratânia é famosa pela confecção de couro. Tenho recebido compradores do Rio de Janeiro, Brasília, Mato Grosso etc.”
A produção própria, segundo ele, garante um preço mais acessível ao consumidor final. “Nossos mais de mil itens estão com preços, em média, 30% mais barato do que os praticados, inclusive na Capital.”
O empresário diz que dentre os produtos mais procurados estão as luvas, botas e os casacos 7/8 mais pesados. “O pessoal procura e compra porque não tinha em seu guarda-roupa peças para enfrentar temperaturas tão baixas.”
Até o chapéu masculino e os tapetes de pele de ovelha, pouco utilizado pelos brasileiros acostumados com clima quente, este ano foram comercializados, ressalta Silva. “Os tapetes de pele de ovelha de tamanho grande esgotaram.”
Sem inverno há oito anos
O empresário Abílio Paschoalinotte Júnior, sócio-proprietário da mais antiga loja de couro de Pratânia, está otimista com as baixas temperaturas do outono 2004 e aposta no inverno que chega hoje. “Há oito anos não tínhamos baixas temperaturas. No ano passado não tivemos inverno.”
Para ilustrar a situação, o empresário compara as vendas desse período em 2003 com as desse ano. “Em julho do ano passado fizemos uma liquidação com 50% de descontos nos produtos para desovar o estoque que era quatro ou cinco vezes maior do que o que eu tenho hoje, antes do inverno chegar.”
Ele comenta que tanto a procura como a venda dobrou. “A maioria das pessoas que entra na loja compra. Há uma necessidade e eu tenho o produto. As vendas aumentaram muito e estamos otimistas com a chegada da estação tipicamente mais fria.”
Júnior enfatiza que todas as previsões feitas para esse inverno não se concretizaram. “Porque estamos acostumados com temperaturas amenas no outono e só no inverno as mais baixas.”
De acordo com ele, a mudança na temperatura influenciou no comportamento do consumidor. “Os produtos mais vendidos foram as botas, tanto masculinas como as femininas e a surpresa ficou por conta das luvas que eram pouco procuradas.”
Apostando nas baixas temperaturas, o empresário já pensa em ampliar a confecção. “Há dez anos tínhamos um barracão com 120 funcionários. Houve uma retração no mercado e gradativamente fomos reduzindo e terceirizando o trabalho. A partir do próximo ano, vamos voltar com força total. O frio brasileiro aliado as exportações aqueceram o setor.”