O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Seiko Tokuhara, afirma que as carências na área rural são diversas por falta de verba. Entretanto, considera “razoável” a estrutura atual - poços, fossas e estradas mal conservadas.
Quanto à falta de dados sobre a zona rural, o titular da pasta alega que ainda não teve tempo de percorrer todo o território.
“Não deu tempo ainda de ter uma visão completa para perceber a necessidade que ainda existe na zona rural. Eu sei dizer de bairros que eu percorri. Eu levaria mais ou menos um ano para ter noção da necessidade”, justifica.
Confira a seguir trechos da entrevista concedida ao JC nos Bairros.
JC nos Bairros - Qual é a política aplicada à zona rural de Bauru?
Seiko Tokuhara - Conseguimos uma verba estadual através dos convênios que temos com o Estado. A verba é de R$ 47 mil para Bauru. Isso seria investido em conservação e manutenção de estradas vicinais. São máquinas do governo do Estado, que prestam serviço para seis municípios e virão para Bauru. Elas estão prestes a chegar. Faz parte do Consórcio Pró-Estrada. Ajuda bastante. Mas temos um segundo convênio de R$ 12 mil. Nesse, a prefeitura tem de executar a manutenção, a conservação e a recuperação de estradas com máquinas e pessoal próprio. Podemos utilizar o dinheiro em combustível ou materiais para manutenção.
JC - Com essa verba é possível recuperar quantas estradas?
Tokuhara - Em relação à necessidade, essa verba não significa muita coisa. Temos estradas críticas, como a estrada do Campo Novo, da Quirilândia, que praticamente consome sozinha os R$ 47 mil. Já os R$ 12 mil serão destinados à estrada de Val de Palmas, que liga Bauru ao distrito de Tibiriçá. Com esses R$ 59 mil, vamos conseguir recuperar apenas essas duas estradas.
JC - Para resolver todo o problema de estradas na zona rural, seria necessário quanto?
Tokuhara - Eu não levantei todo o custo porque eu não fiz visita a todas as estradas ainda. Então, eu não tenho uma previsão. Conforme sobrar tempo, vamos fazer visitas. Mas temos problemas na região de Tibiriçá, na região de Barra Grande. Precisamos recuperar pontes, precisamos recuperar mata-burros. Tem várias questões que precisamos solucionar o mais rápido possível. Só que temos dificuldade da verba. Muitas vezes, o serviço é lento por dificuldade financeira. Como Bauru, o Brasil inteiro está atravessando essa crise. Estamos resolvendo na medida do possível. É um trabalho lento por causa de verbas.
JC - Além das estradas, quais são os principais problemas da zona rural de Bauru, no que refere-se a infra-estrutura?
Tokuhara - O problema maior são pontes, mata-burros e erosões. São as maiores reclamações de citiantes. Temos duas pontes na Barra Grande para as quais estamos a caminho de solução. São os pontos mais críticos. No (bairro) Meia-Lua, indo para Tibiriçá, tem uma ponte que estamos recuperando. Após o término dessa, vamos recuperar uma de Barra Grande. Tem uma que vamos isolar. Como é próxima à cabeceira, vamos fazer tubulação e eliminar a ponte. Depois, vamos aproveitar o madeiramento e recuperar outra da Barra Grande. Uma delas está oferecendo risco. O problema é madeiramento que começou a soltar. Ele está bem velho.
JC - Tem previsão para término dessas obras?
Tokuhara - A previsão é de que, nos próximos três meses, a gente entregue todas essas pontes recuperadas. Dentro de 40 dias, duas pontes estarão entregues. A terceira é que será um trabalho mais lento porque é uma ponte mais longa e o volume de água é maior.
JC - O senhor falou em erosões. Não existe um sistema de drenagem adequado na zona rural?
Tokuhara - Não são todos os locais que têm sistema de drenagem. Primeiro, não podemos mexer na mata ciliar. Temos de respeitar. Quando é dentro da fazenda, a gente ajuda com as máquinas o fazendeiro a fazer a caixa de contenção. Mas nem sempre o fazendeiro permite a entrada. Então causa erosão na estrada. É o caso da erosão de Val de Palmas. Tem fazendeiros que não permitem que a gente faça nem caixa de contenção. Isso dificulta e atrasa nossos trabalhos. Com a caixa de contenção, a água escorre pela lateral através das curvas de nível e fica na caixa. O fluxo d’água não tem uma seqüência.
JC - As caixas de contenção são a melhor solução para o problema?
Tokuhara - Na zona rural, o melhor sistema são curvas de nível com caixas de contenção. Não tem outro sistema que resista às chuvas. Quando as caixas ficam cheias, a gente faz a limpeza. Para fazer galerias, o custo seria elevadíssimo. E as estradas são longas. Precisamos muito mais de galerias em zona urbana, devido ao pavimento asfáltico.
JC - Como está o abastecimento de água na zona rural?
Tokuhara - Pelo que eu conheço, várias propriedades já estão com poço artesiano. Praticamente não há problema. Água encanada aqui ainda é difícil. Água tratada para zona rural é complicado. Tem um custo elevadíssimo. O ideal é o poço artesiano mesmo. Já o esgoto é com sistema de fossa. É proibido jogar diretamente no rio. Se tiver alguém jogando no rio, não é do nosso conhecimento.
JC - O que o senhor sugeriria no Plano Diretor para os bairros rurais?
Tokuhara - Que houvesse uma coordenação mais ampla das chácaras de fim de semana. Está havendo um crescimento descoordenado. Teria de limitar, para não dificultar a produção de alimentos. As chácaras de fim de semana dificultam a produção de alimentos e geram pouco emprego.
JC - A zona rural não necessita de mais nada?
Tokuhara - Necessita de várias coisas, mas Bauru tem as secretarias. Na Secretaria (Municipal) de Agricultura, a gente vai atendendo os produtores na medida do possível.
JC - Os recursos destinados à área rural são escassos em Bauru?
Tokuhara - Os recursos são bem escassos. A maioria dos projetos implantados pelo Estado limitam-se aos município de 50 mil habitantes. Do orçamento municipal, a verba também é baixíssima. Em torno de R$ 680 mil (anual). Para este ano, eu precisaria em torno de R$ 1,2 milhão.
JC - Se falta dinheiro, a prefeitura fica devendo à população principalmente em que áreas?
Tokuhara - Ficamos devendo em pontes metálicas, irrigação, estufas e outras tecnologias.
JC - No geral, como o senhor avalia a infra-estrutura oferecida aos moradores de zona rural?
Tokuhara - No meu conceito, está razoável. Tem estradas, a maioria tem poço e fossa. Está razoável.
JC - Mas, se a Prefeitura desconhece dados sobre a infra-estrutura básica da zona rural, como é possível existir uma política “razoável” voltada a esse setor do município?
Tokuhara - Eu não posso dizer nada em relação ao secretário anterior. Faz sete meses que eu estou nesta secretaria. Não deu tempo de percorrer tudo. Bauru tem 600 quilômetros de estradas vicinais. Estamos implantando horta familiar, hortas comunitárias, corremos atrás de convênios. Não deu tempo ainda de ter uma visão completa para perceber a necessidade que ainda existe na zona rural. Eu sei dizer de bairros que eu percorri. Eu levaria mais ou menos um ano para ter noção da necessidade. Para sentir a necessidade, temos de fazer visitas aos produtores. A Secretaria de Agricultura tem seis anos. Tem vários materiais que estamos providenciando agora.