Bairros

‘Prefeitura olha mais para área urbana’

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

A Prefeitura de Bauru dá muito mais atenção à zona urbana do município. A afirmação é do diretor do Sindicato Rural de Bauru e Região, Maurício Lima Verde, que reclama da falta de serviços oferecidos à população rural.

“Isso não é só de Bauru. As prefeituras sempre olham muito mais para a área urbana do que para a área rural. Aqui em Bauru, faz parte da cultura falar em cidade de Bauru. E não é cidade. É município”, destaca.

Lima Verde afirma que a administração municipal deixa a desejar porque não oferece nada além do perímetro urbano. “A estrutura dada pelo município não existe. Não existe nada de estrutura. Não tem estrutura nenhuma. É zero. A única coisa que o município faz é conservar as estradas precariamente”, enfatiza.

Ele afirma que os quase 600 quilômetros de estradas vicinais de Bauru sobrevivem praticamente sem manutenção. Os “remendos” são feitos principalmente em períodos de chuvas, mas pelos próprios donos de propriedades.

“Esse atendimento na área rural é extremamente precário e não é só desse governo. A verba de que a Secretaria (Municipal) de Agricultura dispõe é zero. Mal dá para o custeio. As estradas sobrevivem porque os proprietários rurais têm de se locomover e fazem mutirões”, salienta.

“Se não existisse a prefeitura, seria a mesma coisa. O poder municipal é zero. A secretaria (de Agricultura e Abastecimento) faz hortas comunitárias mas, com a verba que tem, é impossível fazer mais do que isso”, insiste o diretor do sindicato.

Na opinião de Lima Verde, falta interesse dos poderes Legislativo e Executivo na área rural. “Eles não sabem nada. Há um desconhecimento total. 90% da população também não sabe nada do que está acontecendo além da rodovia Marechal Rondon. Bauru ficou para trás porque não houve vontade política de criar uma estrutura rural. Havendo vontade política, as coisas podem ser melhoradas”, diz.

O diretor do sindicato sugere que no novo Plano Diretor sejam determinadas diretrizes para a criação de uma usina de compostagem de lixo. O lixo seria industrializado e vendido para produtores agrícolas como fertilizantes. Além de solucionar o problema da destinação do lixo, beneficiaria produtores.

As idéias são muitas, mas Lima Verde não parece otimista com a realidade rural. “É um pouco de sonho. Nossa geração não vai ver isso, principalmente aqui em Bauru. É preciso criar uma cultura nos administradores da cidade de que isso tudo é importante”, observa.

População

Os moradores dos bairros rurais de Bauru também reclamam da falta de infra-estrutura. É o caso de Vinícius Barbosa Gonçalves, que vive em Rio Verde. “É um bairro que deveria ter tudo certinho, mas não tem nada. Até agora, nunca teve”, diz.

Ele tem um poço artesiano em sua casa, mas acredita que o sistema de água encanada seria melhor. O escoamento de esgoto é feito através de fossa. “Não tem tratamento nenhum. O que eu posso falar? Seria melhor se tivesse rede de esgoto”, avalia.

Transporte público também não chega ao bairro. “Cada um se vira como pode. Muita gente depende de carona”, afirma o morador.

Falta telefone público, falta núcleo de saúde, mas Vinícius acredita que um dos piores problemas é a má conservação das estradas vicinais. “Está péssimo. Nunca arrumaram. Às vezes, dão uma mexida, mas nunca arrumam a estrada definitivamente. Está sempre esburacada”, reclama.

Já a coleta de lixo, feita quinzenalmente, ele afirma ser suficiente.

João Coracin, que trabalha com hortaliças na Barra Grande, diz que enterra ou queima o lixo que produz em sua propriedade porque não há coleta de lixo. “Seria bom se tivesse coleta de lixo, mas fica difícil para a prefeitura porque a distância é grande e são poucos moradores”, avalia.

Elza Silva (nome fictício), dona de uma chácara nos Sítios Reunidos Santa Maria, reclama da falta de infra-estrutura. O bairro localiza-se em meio à área rural de Bauru, mas é considerado perímetro urbano. Portanto, os moradores pagam Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

“A prefeitura não oferece nada. Não arruma ruas, não faz nada. A associação teve de comprar um trator. Eu fiquei quatro anos sem poder entrar na minha chácara pela entrada. Tinha de entrar pelo pasto”, conta.

“Precisaria ter asfalto, luz nas ruas, mas não tem. É um breu. Quem anda a pé tem de levar lanterna. Não deveriam cobrar IPTU. É uma área rural”, reforça.

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