Bairros

Falta infra-estrutura na zona rural

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

O objetivo inicial do JC nos Bairros desta semana é traçar um perfil da infra-estrutura de que os bairros rurais de Bauru dispõem. A equipe de reportagem realizou, portanto, uma busca a estatísticas e números que indicassem a suposta carência de atendimento à população rural. A surpresa foi grande. Além do déficit em infra-estrutura básica, o JC constatou que falta à administração municipal até mesmo informações sobre a zona rural.

A Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento não soube informar qual é o déficit real de infra-estrutura em domicílios da zona rural. Não se sabe onde há carência de abastecimento de água, escoamento adequado de esgoto, coleta de lixo e drenagem de águas pluviais, por exemplo.

A maior parte dos poucos dados colhidos pela reportagem foram obtidos através de censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Através dele, sabe-se, por exemplo, que somente 115 domicílios rurais têm água canalizada. Além disso, enquanto 123 domicílios têm fossa séptica, 612 dispõem de fossa rudimentar.

Se as informações são tão escassas, cabe o questionamento sobre qual é a política voltada à zona rural do município, que abocanha 83% do território de Bauru.

De acordo com Maurício Lima Verde, diretor do Sindicato Rural de Bauru e Região, a infra-estrutura oferecida pela administração municipal aos bairros rurais inexiste. “Não existe nada de estrutura. Não tem estrutura nenhuma. É zero. A única coisa que o município faz é conservar as estradas precariamente”, afirma.

O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Seiko Tokuhara, alega que a secretaria é um órgão novo na prefeitura, com cerca de seis anos, e que ele é o titular da pasta há apenas seis meses.

“Não deu tempo ainda de ter uma visão completa para perceber a necessidade que ainda existe na zona rural. Eu sei dizer de bairros que eu percorri. Levaria mais ou menos um ano para ter noção da necessidade”, justifica.

Caça

Na busca por números, o JC descobriu que não existe iluminação pública na zona rural de Bauru. Nos 582 quilômetros quadrados de território “não-urbano”, a população vive quase às escuras.

De acordo com João Lima, da assessoria de iluminação da Prefeitura de Bauru, somente o Recanto Aprazível, localizado próximo à rodovia Bauru-Marília, dispõe de poucos pontos de luz. “Zona rural não tem”, frisa.

Quanto a iluminação particular, a assessoria de imprensa da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) informa que tem 824 clientes (residenciais e outros) rurais no município.

Redes de água e esgoto também são serviços inexistentes na zona rural. A assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru informa que não atende nada fora do perímetro urbano.

A alternativa para os moradores é perfurar poços. É necessário contratar uma empresa e pedir autorização ao Departamento de Água, Esgoto e Energia Elétrica (DAEE), vinculado ao governo estadual. Mas os poços clandestinos não são poucos.

O DAE também não coleta esgoto na área rural. Os moradores têm de construir fossas. De acordo com o IBGE, a maioria das fossas é rudimentar - poucas são sépticas. A autarquia oferece apenas o serviço de limpa-fossa, que custa R$ 58,33.

Entretanto, a lei 1.006, de 1962, que cria o DAE, estabelece que o serviço deve ser prestado em todo o “território do município”.

O DAE alega que o custo para levar as redes à zona rural seria muito elevado devido à necessidade de construção de adutoras e que “não compensaria”.

Falta também transporte público. De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o ônibus que vai ao Distrito de Tibiriçá atende, em alguns horários, o bairro Barra Grande e as Chácaras Reunidas de Santa Maria.

Há também uma linha cujo destino é o Vale do Igapó. O bairro, entretanto, pertence ao perímetro urbano de Bauru.

A assessoria de imprensa da Emdurb informa que antigamente uma linha atendia o bairro Águas Virtuosas, mas ela foi extinta por falta de demanda.

Já a coleta de lixo é feita em determinados pontos da zona rural, de acordo com Fausto César Bertoldo Tigre, gerente de Limpeza Pública da Emdurb. Um caminhão basculante é responsável pela coleta e atenderia semanalmente cada local.

“Em alguns casos, são duas vezes por semana. Não é o mesmo ritmo da coleta urbana porque a produção é menor. Não justifica grandes deslocamentos, com pouco recolhimento”, expõe.

Como as estradas de terra são mal conservadas, o caminhão fica sujeito a trechos intransitáveis e o serviço pode ser prejudicado. “São poucos os locais em que não dá para passar”, diz Tigre.

O serviço é realizado há cerca de três anos e atende basicamente os bairros urbanos localizados dentro da zona rural: Águas Virtuosas, Jardim Imperial, Sítios Reunidos Santa Maria, Chácaras Vale São Luiz, Recanto Maricel, Rio Verde e Distrito de Tibiriçá. São coletadas cerca de oito toneladas por mês.

Ainda assim, em muitos pontos os moradores enterram ou queimam o lixo por falta de coleta. É o caso de Barra Grande.

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