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Pragas urbanas invadem casas e trazem de volta velhas doenças

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

As pragas urbanas incomodam e estão aumentando cada vez mais. Mudanças no clima, degradação do meio ambiente e interação entre o campo e a cidade são apontados como fatores primordiais para esse fenômeno, que está trazendo à tona doenças que já eram dadas como sanadas - a leishmaniose, por exemplo.

As informações são do biólogo Sérgio Bocalini, diretor-executivo da Associação Paulista dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas (Aprag). De acordo com ele, essa invasão de mosquitos, baratas e formigas nos meios urbanos é conseqüência da ação desenfreada do homem sobre o meio ambiente. “Os centros urbanos vão crescendo e invadindo os espaços que antes eram silvestres”, explica.

Bocalini denomina como “4 as” os fatores que auxiliam na proliferação dos insetos. “São eles, água, abrigo, alimentação e acesso”, destaca.

Como exemplo, cita a barata. Segundo ele, esse inseto encontra nas casas abrigo em frestas e ralos; alimento em abundância; acesso por meio do esgoto ou de transporte feito pelo próprio ser humano (no caso, uma caixa de papelão vinda de um supermercado pode trazer a praga para dentro de casa), e água, embora ela nem necessite beber o líquido, já que se satisfaz com a umidade do ar.

Todos esses fatores estão contribuindo para que doenças do passado voltem a atacar. Bauru, por exemplo, já registrou nove casos de leishmaniose neste ano e está empatado em primeiro lugar com Araçatuba no ranking da doença no Estado.

A leishmaniose é transmitida pelo mosquito-palha, uma espécie silvestre que se aproximou da cidade devido ao desmatamento do campo. “Muitas doenças que, acreditava-se, estavam sob controle, hoje reaparecem com grande força graças ao ataque dos insetos”, salienta Bocalini.

O professor de biologia Marcelo Álvares Dainesi salienta que a tendência é de haver um aumento desses males entre a população urbana. “Não existem medidas profiláticas eficientes para acabar com a contaminação”, destaca.

O que não faltam são recipientes vazios, vasos, pneus velhos e caixas d’água para servir de criadouro de mosquistos, baratas e formigas. “No caso do mosquito-palha, a situação é ainda pior, já que ele se reproduz em um meio úmido, ou seja, não adianta jogar a água fora para se livrar dele. É preciso manter os quintais em ordem”, destaca Dainesi.

Equilíbrio ambiental

Elas não são insetos, mas costumam assustar assim como as baratas. As aranhas, que são classificadas como aracnídeos, têm um forte poder de repulsão entre as pessoas. A aparência delas, somada ao medo de uma picada venenosa, faz muitas pessoas sentirem verdadeiro pavor desses bichos.

A assessora administrativa Ana Cristina Maia de Oliveira, é uma delas. “Quanto mais eu fujo, mais eu as encontro”, comenta.

Ela mora em um bairro novo, que ainda possui muita área verde. Por isso, é comum encontrar aranhas pelo quintal e dentro de casa. “Já encontrei umas seis ou sete em casa”, diz.

Uma das que mais chamou a atenção foi uma caranguejeira, do tamanho da palma da mão. “Apesar de não ser venenosa, essa espécie é muito feia e assusta”, salienta.

O aracnídeo, de tão exótico e grande, foi levado ainda com vida para o departamento de biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) para estudos.

O professor de biologia, Marcelo Álvares Dainesi, lembra que as aranhas, apesar de causar alguns acidentes devido ao seu veneno, são vistas com bons olhos. “Elas são predadoras de algumas espécies e ajudam a equilibrar o meio ambiente”, ressalta.

Dentre os insetos que se espalham pela cidade, um dos mais comuns de se encontrar nas casas e apartamentos são as formigas. Pequenas e ágeis, elas se espalham rapidamente e passam por frestas mínimas.

Essas são as chamadas operárias. Se percebem algum perigo, elas se espalham e criam outros formigueiros, aumentando a proliferação da espécie.

As carpinteiras têm como uma de suas características a atração por equipamentos eletrônicos. Elas procuram nesses locais abrigo quente, protegido e aconchegante. Ao passarem pelos circuitos internos dos aparelhos, elas levam choques que estimulam a liberação de uma substância que corrói os componentes eletroeletrônicos e estragam o equipamento.

Hematófagos

Da mesma família das aranhas, o carrapato tem como uma de suas características o fato de ser hematófago, ou seja, alimenta-se de sangue. Habitante do meio rural, ele migra para a cidade pegando carona em animais domésticos que visitam o sítio aos finais de semana. Mas também pode ser transportado no bico dos pássaros.

O professor Dainesi lembra que esse aracnídeo pode transmitir doenças ao homem. “Ele pode ser o vetor da bactéria responsável pela febre maculosa”, explica.

Trata-se de uma zoonose transmitida basicamente pelo carrapato-estrela e o carrapato-do-cavalo. Quando não diagnosticada a tempo, pode levar à morte.

De acordo com Bocalini, as reclamações sobre a invasão de insetos têm aumentado consideravelmente nos últimos três anos. O clima, segundo ele, tem contribuído para essa mudança de comportamento. “O calor mais rigoroso dos últimos tempos estimulou a reprodução dos insetos”, ressalta.

Livre do problema

Dicas para tentar manter as pragas longe de casa

* Evite acumular sacos de lixo ou detritos fora do recipiente adequado

* Use lixeiras e sacos de boa qualidade. Procure jogar o lixo fora diariamente

* Ralos de pia, banheiros, cozinha e área de serviço deverão estar sempre limpos e fechados

* Evite armazenar comidas dentro de fogões, microondas e armários de pia

* Mantenha pisos, pias, paredes e janelas sempre limpos

* Os armários de despensa deverão estar sempre fechados e livre de produtos mal embalados ou deteriorados

* Utensílios em geral deverão ser limpos após o uso e armazenados livre de umidade

Ao contratar uma empresa para controle dos insetos:

* Faça uma consulta ao Procon para verificar se a empresa é idônea

* Verifique se ela tem alvará de funcionamento expedido pela Vigilância Sanitária e se os produtos utilizados estão registrados no Ministério da Saúde

* Dê preferência a empresas da sua cidade. Vai ser mais fácil conseguir manutenção

* Exija uma proposta com as seguintes informações: o nome do técnico responsável, nome do produto químico, dosagem, antídoto e procedimento pré e pós tratamento e valor dos serviços

* Porteiros e funcionários de condomínios não devem fazer esses trabalhos. Eles poderão colocar a saúde deles, dos animais e dos moradores em risco

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