Cultura

Operário da arte

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

O artista plástico bauruense Silvio Selva inaugura amanhã uma mostra de fotografias, esculturas e pinturas no Templo Bar. E para que ninguém se surpreenda com a variedade dos trabalhos, é bom avisar: ele é conhecido como um artista multimídia. Teve as histórias em quadrinhos como fonte de inspiração para a grafitagem, trabalhou com pintura mural, telas esculturas, fotografia e cenografia de teatro. Detalhe: tudo isso é resultado de um aprendizado autodidata que teve início há 18 anos.

“Comecei na época da ditadura militar, na década de 70, quando fui para São Paulo. Conheci os grandes grafiteiros da Vila Madalena e Pinheiro e escrevia poemas nas paredes, recortava as histórias em quadrinhos e as usava como máscara para grafitar”, lembra Selva.

No período que ficou na Capital, o artista freqüentou estúdios e exposições para conversar com outros artistas plásticos. Assim, foi aprendendo alguns elementos de produção artística. A técnica de soldagem (utilizada para se produzir esculturas), foi adquirida em um curso que Selva fez na Escola do Aluno Aprendiz da Rede Ferroviária Federal. “Minha arte não é catalogada, não me prendo a nenhuma escola”, comenta.

Em 1994, Selva realizou sua primeira mostra em Bauru. “Foi na galeria ‘Angelina Messemberg’, juntamente com a Cia. de Artistas, uma cooperativa que produzia gravura, pintura e escultura”, conta. Desde essa época, ele se dedicou apenas à arte - em todas as suas áreas. Foi um dos pioneiros na arte do fanzine (jornal ilustrado com quadrinhos) em Bauru, e pintou parte do muro do Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, onde trabalha atualmente.

Este ano, o artista realizou uma exposição fotográfica juntamente com a bailarina e professora de dança Fairuza Hássen. Denominada “Luz e Corpo”, a mostra - que foi apresentada em maio na galeria da Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes” - foi composta de dez imagens retratando os movimentos corporais da dança. Fairuza posou para todas as fotos.

“Sempre tive uma fixação muito grande pela dança”, afirma Selva. A paixão é tamanha que inspirou a criação de um segundo ensaio fotográfico, também feito em parceria com a Fairuza e apresentado a partir de amanhã, no Templo Bar. São 20 imagens enfocando a performance da bailarina.

Uma das séries de fotos retrata, por exemplo, a dança folclórica “Candelabro”, que simboliza os rituais do batismo do povo árabe. A exemplo desta, as outras imagens da mostra abusam dos efeitos de luz como elemento fundamental da composição. “A dança é uma coisa que precisa da luz, ela é como uma pintura feita em fotografia”, observa Selva.

Além das fotos, o artista também expõe três telas sobre ideogramas chineses - resultado de uma pesquisa com arte abstrata - e uma série de 12 esculturas. Abstratos ou figurativos, essas obras são inspiradas na anatomia humana e produzidas em aço, alumínio ou bronze. O destaque fica por conta de uma escultura que representa um guerreiro medieval. “Eu a chamaria de biocibernética porque ela traz uma linguagem de vida, mas tem uma coisa meio mecânica”, aponta.

Embora não sigam uma mesma linha temática, as fotografias, pinturas e esculturas feitas por Selva buscam dialogar entre si. “A arte é muito ampla, não consigo me prender em uma idéia só. Os riscos que compõe minha escultura existem na minha pintura. A luminosidade que eu coloco na pintura ou na escultura, existe na fotografia”, explica. “Os trabalhos funcionam como um retrospecto das fases da minha vida”, completa o artista. A mostra, entitulada “A Dança da Safira”, pode ser visitada até dia 7 de julho no Templo Bar. Durante a abertura, Fairuza apresentará a dança “Candelabro”.

• Serviço

Mostra “A Dança da Safira”, de Silvio Selva, pode ser vista a partir de amanhã, no Templo Bar. Rua Benjamin Constant, 1-34. Informações: (14) 3223-3493.

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