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Um só mundo, um só oceano


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Os países ricos e pobres estão interligados como nunca antes pela economia, o comércio, as correntes migratórias e por um corpo de água que cobre 70% da superfície da Terra, do qual depende nossa própria sobrevivência. Do mesmo modo que só existe um mundo, também há apenas um oceano. Mas o oceano está morrendo.

A pesca indiscriminada está matando o oceano. A revolução tecnológica que tornou possível a captura de volumes cada vez maiores de pescado, junto com a exploração populacional dos litorais, os subsídios às frotas pesqueiras nos países desenvolvidos e um incessante aumento da demanda por produtos do mar parecem ter se combinado de tal forma que geraram uma ameaça global de conseqüências imprevisíveis para futuras gerações.

A incessante expansão das frotas pesqueiras dos países ricos, apoiadas por elevados subsídios da ordem de US$ 15 bilhões anuais, causou a devastação das espécies. A pesca ilegal está aumentando, a regulamentação do setor é ineficiente e os pescadores pobres pagam pelas conseqüências.

Quase a metade da população mundial, cerca de três bilhões de pessoas, vive a não mais de 60 milhas do litoral. Esta concentração e as atividades de construção causam um aumento da poluição e destruição do hábitat marinho. O esgoto sem tratamento e os produtos químicos estão causando a devastação e criando zonas mortas. A isto soma-se o impacto da mudança climática devido à atividade humana, que já está ocasionando perigosos impactos nos ecossistemas marinhos.

Entretanto, ainda há espaço para a esperança. Em 2002, a Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável de Johannesburgo fez um chamado à comunidade internacional para propor objetivos ambiciosos, embora alcançáveis, como a recuperação, até 2015, de existências de peixes até atingir níveis de sustentabilidade. Agora, trata-se de impulsionar, na prática, as ações que nos levem a esse resultado.

Alguns países estão mostrando que se pode progredir na direção correta. A redução do excesso de capacidade pesqueira no Chile e a recuperação de licenças cedidas a estrangeiros para favorecer frotas nacionais sujeitas a melhores controles na Namíbia são dois claros exemplos que levam à restauração de existências básicas de peixes.

O Banco Mundial, junto a sócios como o Fundo Global para o Meio Ambiente, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação e o Fundo de Conservação da Vida Silvestre, entre outros, está trabalhando em um novo enfoque em relação ao oceano, que começa na linha divisória das águas dos rios e continua até as zonas costeiras e o mar. Somente se for dada prioridade às estreitas ligações entre terra e água, entre saúde humana e oceânica, entre manejo sustentável e benefícios renováveis, nos converteremos em promotores responsáveis do Planeta Azul do qual depende nossa vida e o futuro das próximas gerações.

O autor, Ian Johnson, é vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial.

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