Mais de 12 mil pessoas pobres de Bauru podem ficar sem receber sequer uma peça de roupa da campanha do agasalho organizada pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) por falta de doação. Até ontem à noite, a administração municipal tinha arrecadado 20.290 peças, quando precisava ter alcançado a meta de 50 mil para atender cerca de 21 mil necessitados, moradores de favelas ou bolsões de pobreza na cidade.
A menos de 15 dias do encerramento da campanha (previsto para o dia 5 do próximo mês), apenas 12.350 já foram entregues em nove bairros do município. No total, foram distribuídos pouco mais de 600 kits de roupas, sendo que outros 1.170 estão programados em desafio à minguada contribuição da população.
“Ainda tenho a esperança de receber (os 60% que faltam). Só ontem à tarde (anteontem) recebemos 1.200 peças. Além disso, a campanha prossegue até o final do mês”, diz a coordenadora da campanha do agasalho da Sebes, Marleide Lucinda da Conceição.
O otimismo dela não esmorece mesmo depois de ter percorrido regiões como o Jardim América e o Jardim Cruzeiro do Sul batendo nas casas para pedir doações; de espalhar pela cidade 80 postos fixos de arrecadação de roupas e de transformar ônibus circulares em pontos de arrecadação.
“Conseguimos menos que nos outros anos (no ano passado o total angariado foi de 28 mil peças). A pessoas estão doando pouco por causa da crise socioeconômica. Usam mais as roupas e em alguns casos vendem (para brechós) quando querem se desfazer delas”, comenta.
No entanto, Conceição descarta a possibilidade de antecipar a campanha em 2005. Para ela, a iniciativa é inútil porque a população só começa a doar quando o frio está intenso.
Distribuição
“Iniciamos (a campanha deste ano) no dia 23 de abril, mas as doações só aumentaram com as frentes frias”, informa a coordenadora, que ontem à tarde distribuiu 82 kits de roupas (com cerca de 20 peças cada um), na favela que fica às margens da avenida Comendador José da Silva Martha.
Em fila, os moradores pegavam os sacos com roupa e um cobertor ao apresentar uma senha distribuída pela própria Sebes. “Vai ajudar muito”, diz Maria Regina Nascimento da Silva, com o filho Felipe, de 2 anos, no colo. A criança trajava apenas uma camiseta grande, de mangas curtas.
A desempregada Nilza Magalhães também aprovou a iniciativa da Sebes. “Pelo menos uma coisa boa em meio ao desespero: estou morando de favor, passando necessidade e não consigo encontrar emprego de caseira”, conta.
Geraldina da Conceição também foi beneficiada com a campanha do agasalho, mas como estava passando frio antes de ser assistida pela Sebes, buscou ajuda numa igreja, que também realizou uma campanha do agasalho.
“O ideal seria que as entidades promovessem campanhas, arrecadassem roupas, mas encaminhassem (o material angariado) para um local só. Assim, a distribuição seria organizada e justa. Alguns bairros acabam recebendo mais doações que outros. Alguns nem são atendidos”, lamenta a coordenadora da campanha da Sabes.
Só no feriado de Corpus Christi, os católicos ajuntaram cerca de duas mil peças entre cobertores e roupas, posteriormente distribuídas para famílias carentes e entidades assistenciais. Já as escolas estaduais de 15 municípios, incluindo Bauru, arrecadaram 92 mil peças, entregues em creches, fundos de solidariedades, pastorais, e hospitais.