Mesmo com prazo para retirar os animais do canil localizado no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) mantém rigorosas exigências para a adoção dos cães e gatos recolhidos doentes ou abandonados em Bauru. Em Botucatu, por exemplo, a entidade faz feira para doar. A Uipa de Bauru, que abriga cerca de 200 animais no prédio no Jardim Redentor, tem até o próximo dia 5 para desocupar o local. A prefeitura obteve liminar na Justiça para reintegração do prédio e já concedeu mais 15 dias de prazo à entidade.
Além de doações, a Uipa também pretendia distribuir os animais em chácaras de pessoas que procuram a entidade para autorizar a adoção, construindo pequenos canis. No entanto, as exigências e a triagem realizada para a adoção dos animais dificulta o processo, já que a Uipa assume total responsabilidade pelos animais que abriga. Os interessados passam por uma entrevista com as responsáveis pela ONG, na qual precisam garantir que possuem condições de manter o animal em boas condições, com alimentação, vacinas e atendimento veterinário.
A presidente da ONG, Ângela Maria Heiffing da Silva, confirma que os critérios são rigorosos e que buscam dar aos animais condições iguais ou melhores do que as do abrigo. “Não é porque estamos nessa situação que vamos doar para qualquer um. Recebemos muitas pessoas que não estão qualificadas para ter um animal de estimação. Você precisa ter condições financeiras para mantê-lo, até mesmo para proteger a família de eventuais problemas de saúde. Se você doa para uma pessoa carente, ela vai acabar abandonando. São essas as pessoas que vêm pedir ajuda à Uipa quando os animais estão doentes”, relata.
Ainda assim, na última semana cerca de 30 cães e gatos da Uipa foram adotados por pessoas que procuraram a entidade. O advogado da ONG de proteção animal Naturae Vitae, José Hermann Schroeder, comenta que o problema da Uipa chamou a atenção da população. “As pessoas estão se propondo a adotar os animais, mas a Uipa toma um severo cuidado com a adoção. É um problema encontrar pessoas responsáveis que cuidem dos animais”, diz.
Segundo Schroeder, a adoção toca na questão da posse responsável, conceito internacionalmente divulgado por entidades de proteção animal e que defende os direitos dos cães, gatos e outros bichos de estimação. “O brasileiro ainda não tem esse tipo de conceito. A posse responsável é o que a Uipa vem fazendo. Ela tem a fama de não doar, mas é justamente porque segue esses padrões internacionais”, ressalta.
Nova área
Representantes da Uipa e outras organizações não-governamentais (ONG) de proteção animal reúnem-se hoje com assessores da administração municipal para cobrar a cessão de uma área para a instalação do novo canil. A presidente da Uipa relembra que havia firmado acordo com o prefeito Nilson Costa (PTB) para que a entidade recebesse um novo local para se instalar antes de ceder o antigo prédio para o CCZ.
“Mas eles fizeram o contrário, pediram a desapropriação antes. Agora, vamos cobrar um lugar para abrigar os animais. Já havia sido oferecido o canil da Polícia Militar, mas ele está ocupado. Se eu não tiver onde ir com os animais, vamos acampar na Praça das Cerejeiras”, ameaça Ângela.
Caso os animais não sejam retirados do canil no prazo estipulado, o CCZ anunciou que pretende sacrificá-los, atitude que seria amparada em leis de normas técnicas federais estaduais e municipais, segundo nota oficial divulgada pela prefeitura. No local, o CCZ pretende abrigar animais doentes. O advogado do Naturae Vitae responde que a Lei Ambiental considera o sacrifício dos animais como crime.
• Serviço
A Uipa fica no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), na rua Henrique Hunzicker, no Jardim Redentor. Nesta semana, o atendimento está sendo realizado das 9h às 11h.