Na última semana, muito se falou sobre o mais recente reajuste de preços da Petrobras para gasolina e diesel, que ficou em torno de 4,5% e 7% respectivamente nos postos de combustíveis. Contudo, empresários do setor reclamam e afirmam que, apesar do impacto para o consumidor, eles continuam trabalhando com baixas margens de lucro e uma alta carga de impostos e custos operacionais.
Desde a semana passada, os preços da gasolina comum nos postos de Bauru variam de R$ 2,06 a R$ 2,09. Os donos de postos Robson Costa, Edvaldo Tuschi, Wagner Siqueira e Robson Mecca, que também são membros do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), dizem que a margem mínima de lucro necessária na venda de cada litro de gasolina deveria variar de R$ 0,25 a R$ 0,30, já descontados os impostos.
Atualmente, a diferença média entre o preço de custo das companhias distribuidoras e o valor de venda da gasolina comum ao consumidor é de R$ 0,24. As notas fiscais de compra de gasolina junto a distribuidoras apresentadas por empresários à reportagem trazem os seguintes preços de custo: R$ 1,88 (Shell), R$ 1,85 (Texaco e Esso) e R$ 1,82 (Ipiranga).
“Isso significa que estamos trabalhando com uma margem abaixo do mínimo necessário para garantir algum lucro. O consumidor pensa que, a cada aumento de preços da Petrobras, nós também aumentamos o nosso lucro. Mas não é nada disso que acontece, porque as distribuidoras sobem os preços de custo e não há como negociar com elas”, reclama Robson Costa.
De acordo com ele, a margem de lucro na comercialização da gasolina já chegou a ser de R$ 0,35 por litro em outras épocas. “Sabemos que isso nunca mais voltará a ocorrer. Para nós, seria melhor se o governo voltasse a tabelar os preços dos combustíveis, porque desde que o mercado se tornou livre, a situação para nós piorou muito”, diz Robson Mecca.
Eles também reclamam dos gastos elevados. Em média, um posto tem de cinco a seis funcionários. “O salário-base de um frentista é de R$ 575,00, mais 30% do adicional de periculosidade. Ainda pagamos R$ 154,00 de tíquete-alimentação, R$ 55,00 de cesta básica e mais R$ 80,00 de vale-transporte. Num posto com loja de conveniência, o gasto médio por mês com energia elétrica é de R$ 2 mil. Isso tudo sem contabilizar os impostos e taxas, como a de R$ de 450,00 cobrada por trimestre pelo Ibama. Temos uma carga tributária altíssima”, descreve Costa.
Mercado livre
Outro problema que seria enfrentado pelos empresários do setor após a liberação do mercado, segundo Costa, refere-se à operação de companhias que não possuem base para o armazenamento de combustível. “Elas só têm o nome. Ninguém sabe onde ficam as bases dessas empresas porque elas só fazem uma transação fiscal por meio das notas. Com isso, as demais companhias começaram a achatar cada vez mais as margens de lucro dos revendedores para que pudessem ganhar no volume. Isso também nos prejudicou.”
Em relação à igualdade dos preços de venda da gasolina nos postos da cidade, Costa alega a similaridade dos preços de custo praticados pelas distribuidoras.
“Existem mais de 100 distribuidoras operando no mercado hoje. Quando alguém (posto) consegue baixar o preço na bomba, geralmente é porque está comprando combustível em uma dessas empresas que só fazem a negociação fiscal, ou seja, as distribuidoras de notas. Nesses casos, é possível comprar gasolina mais barata, mas aí, o preço está ligado à qualidade do produto”, diz Costa.
A liberdade de comprar gasolina em mais de uma companhia só é permitida aos postos de bandeira branca - aqueles que não representam uma marca específica.
“É nesse momento que o consumidor precisa ficar atento. Com exceção dos períodos em que as distribuidoras fazem promoções, as pessoas têm que desconfiar de quem oferece preços muito baixos. Neste caso, aproveitar o mais barato vai significar muito mais prejuízo para o bolso do consumidor depois, porque a gasolina de má qualidade gera uma série de problemas no carro, além de um consumo bem mais elevado do combustível”, afirma Mecca.
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Testes
Os empresários Robson Costa, Wagner Siqueira e Robson Mecca sugerem aos consumidores que façam um teste simples para verificar se o consumo de gasolina no carro se mantém estável, o que indicaria combustível de boa qualidade. Além do teste, também é importante pedir a nota fiscal nos postos para eventuais pedidos de ressarcimento.
“Basta encher o tanque num determinado posto e marcar a quilometragem. Quando for abastecer de novo, tira a média do consumo por litro. Depois, muda de posto e faz o mesmo teste. Se o consumo for muito alto, é preciso desconfiar”, orienta Mecca.
A composição da gasolina C - que é comercializada nos postos - leva 25% de álcool anidro. Conforme o JC divulgou na semana passada, para saber se essa porcentagem está sendo respeitada, o que também indica combustível dentro das especificações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), basta solicitar no próprio posto que seja feito o teste com o kit que esses estabelecimentos são obrigados a ter.
Um terceiro teste indicado pelos três donos de postos é o “teste do volume”. “Para o consumidor não ser lesado e saber se a quantidade de combustível que está sendo colocada no carro é exatamente a que foi solicitada, basta pedir ao frentista que comprove isso usando o aferidor, que os postos também são obrigados a ter”, indica Costa.