O PT e o PTB vão caminhar juntos nas eleições municipais de outubro. Ontem, dirigentes municipais dos dois partidos se reuniram em São Paulo com o comando dos seus respectivos diretórios estaduais para compor a coligação “Amor por Bauru”. A aliança vai proporcionar às legendas cerca de 12 minutos de propaganda eleitoral gratuita na televisão, dividida em dois blocos diários. Os petebistas prometem indicar até domingo o nome do vice da pré-candidata a prefeita Estela Almagro (PT).
Coincidentemente, PT e PTB enfrentaram turbulências nos últimos meses nas conversações com outros partidos, na tentativa de compor alianças. O primeiro a sofrer um revés no seu projeto político-partidário foi o PT. Desde o início do ano, os petistas conversavam com o PDT, que tem como pré-candidato à prefeitura Tuga Angerami.
Mas a aliança não vingou e o PT ficou à deriva na expectativa de retomar o processo de conversação com outras legendas. Os petistas conversaram com o PFL, PSB e PPS, mas não houve avanços. Nas últimas duas semanas, o diálogo com o PTB ganhou espaço e fluiu para o acordo fechado ontem, em São Paulo.
O PTB também enfrentou momentos de tensão nas últimas semanas. Desde que o prefeito Nilson Costa se desligou do PPS e se filiou ao PTB, dirigentes e militantes dos dois partidos idealizaram um projeto político comum com vistas às eleições municipais deste ano. Mas as conversações encontraram resistência na definição da composição.
Os vereadores do PPS candidatos à reeleição - Zito Garcia e Paulo Agustinho -, com o apoio dos pré-candidatos, se posicionaram contra a coligação no campo proporcional. De certa forma, a coligação favoreceria as candidaturas do PTB à Câmara devido ao quociente eleitoral - soma dos votos de legenda mais o nominal para determinar os eleitos.
Do outro lado, os petebistas relutaram em compor a aliança com o PPS somente no campo majoritário, em apoio à pré-candidatura de Antonio Sérgio Marsola, que necessitava da coligação para ter tempo de televisão. O PTB detém mais de três minutos de propaganda eleitoral gratuita. O impasse acabou em rompimento, oficializado na sexta-feira passada em nota distribuída à imprensa pela direção do PTB.
Além de Estela Almagro e Dota Jr., também participaram do encontro em São Paulo o vereador José Humberto Santana (PTB), o deputado estadual Campos Machado (PTB) - presidente do diretório regional -, e o coordenador estadual do grupo de trabalho eleitoral do PT, Antonio dos Santos. “A aliança está abençoada”, comemora Dota Jr.
“O PTB conquistou com essa coligação o espaço a altura de sua importância no cenário nacional”, reforça. O vereador garante que a coligação será uma “locomotiva” no processo sucessório municipal. “Não seremos simplesmente um vagão”, afirma.
Cenário
Com a definição da aliança PT/PTB, o cenário político-partidário se afunila ainda mais devido a proximidade do prazo final dado pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções municipais, que têm a responsabilidade de indicar nomes de candidatos e coligações.
Dos 11 partidos que anunciam que vão ter candidaturas próprias à Prefeitura de Bauru, apenas dois - PFL, que neste momento ainda tem Dudu Ranieri como pré-candidato a prefeito, e o PSB, que já confirmou Luiz Carlos Valle na disputa - ainda estão em processo de conversações para viabilizar alianças.
Os demais já definiram coligações. O PSDB vai para a campanha com o PL, PP e PRP. Tem como pré-candidato Caio Coube. Seu vice é Fernando Monti. O PDT lançará Tuga Angerami dobrando com Renato Purini (PMDB). A frente também tem o apoio do PSDC.
O PPS deve se restringir ao PAN no apoio a Marsola, que ainda está sem vice. O PMN anunciou na segunda-feira que terá candidatura própria. É Agamenon Nascimento, que seguirá com o PTdoB. Antonio Carlos Barbosa, do PHS, terá apoio do PSL, PTC, PTN e PRTB. Outros três partidos vão seguir sozinhos nesta eleição. O PSTU já confirmou Sandro Fernandes na disputa à prefeitura, assim como o PV terá Clodoaldo Gazzetta. O Prona deve anunciar o nome da médica Elizabeth Maria de Carvalho como pré-candidata a prefeita.
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'Sem apoio a Nilson'
A pré-candidata a prefeita Estela Almagro (PT) está animada com a confirmação da aliança PT/PTB, mas avisa que a composição não significa apoio à administração Nilson Costa, filiado ao PTB. “A coligação visa a eleição de um futuro governo composto por petistas e petebistas”, esclarece.
Estela acredita que a aliança PT/PTB tem boas chances de eleger pelo menos cinco vereadores em outubro. Embora não tenha citado nomes, provavelmente o quociente eleitoral favorecerá a reeleição de Milton Dota Jr., Pastor Luiz e José Humberto Santana, pelo PTB, e José Carlos Batata, do PT.
“Surge uma nova força política na cidade. Vamos demonstrar à sociedade que somos a melhor opção na eleição de outubro”, comenta a petista. Ela avalia que, desde ontem, o PT “está mais forte na disputa” da sucessão municipal.
Na outra ponta da situação gerada pela aliança, o prefeito Nilson Costa ficou numa saia justa. Filiado ao PTB, ele foi o principal articulador da pré-candidatura de Antonio Sérgio Marsola (PPS), seu ex-chefe de Gabinete. Nilson contava com a coligação do PTB com o PPS.
Mas ontem, o prefeito já definiu de que lado vai ficar durante a campanha. “Desejo boa sorte a Estela, mas vou ficar com o Marsola”, antecipou. A declaração mostra a fragilidade do sistema partidário brasileiro, regado a interesses pontuais e pessoais.