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Novo Provão avaliará menos em Bauru

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), criado este ano pelo Ministério da Educação (MEC) para susbtituir o Provão, irá avaliar em novembro 18 cursos oferecidos por seis instituições de ensino superior de Bauru, 50% a menos do que em 2003. A diminuição ocorre em função das mudanças implantadas pelo governo federal no sistema de análise dos universitários.

Ao instituir o Enade, o MEC decidiu dividir 52 áreas de conhecimento em três grandes grupos e avaliar um deles a cada ano. Com isso, os cursos que forem submetidos a exame em 2004 só voltarão a fazer parte do cronograma de provas em 2007.

Na primeira edição do Enade, participarão os alunos de agronomia, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, terapia ocupacional e zootecnia, totalizando 13 áreas de conhecimento, metade das 26 que compuseram o Provão em 2003.

A relação dos cursos que integrarão o exame nos dois próximos anos ainda não foi divulgada pelo MEC.

O Enade também prevê duas outras alterações básicas em relação ao Provão. A primeira é que o exame será estendido aos alunos do primeiro ano. O modelo anterior previa a aplicação da prova apenas para os universitários que estavam concluindo o curso. Além disso, nem todos os estudantes serão avaliados, como ocorria até o ano passado. A partir de agora, o MEC escolherá parte deles para responder às questões formuladas pelo ministério. Os critérios da amostragem, porém, ainda estão sendo discutidos.

O resultado das provas será levado em consideração pelo MEC durante o processo de avaliação das instituições de ensino superior, cujas regras também estão sendo definidas pelo governo federal.

A diretora da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Egli Muniz, acredita que o principal avanço do Enade em relação ao Provão é a inclusão dos calouros no exame. “Uma das críticas que eram feitas ao modelo anterior era justamente o fato dele avaliar o aluno apenas quando ele concluía o curso”, argumenta.

A opinião é compartilhada pelo diretor das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), José Ranieri Neto. “O Enade vai permitir que o MEC e as próprias instituições tenham uma visão melhor sobre o aluno que está ingressando no curso”, comenta.

O diretor da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, José Brás Barreto de Oliveira, também defende a alteração. “Poderemos verificar o impacto da instituição na formação do estudante”, justifica.

O diretor geral do Instituto de Ensino Superior de Bauru e Centro de Educação Tecnológica Preve (Iesb-Preve), Said Yusuf, também vê aspectos positivos no Enade, mas está cauteloso em relação ao conteúdo que será exigido dos calouros. “Como é que você vai avaliar o grau de conhecimento de uma pessoa que está no primeiro ano de medicina, por exemplo?”, questiona.

Ele acredita que a prova acabará se limitando, possivelmente, ao conteúdo adquirido durante o ensino médio. “Só que isso será algo estranho, porque ficará parecido com o vestibular”, declara.

Já a decisão do MEC de realizar o exame por amostragem é elogiada pela secretária geral da Universidade do Sagrado Coração (USC), Gesiane Monteiro Folkis. “Você já imaginou se todos os alunos de todos os cursos do País fizessem a avaliação? O governo acabaria atrasando a divulgação dos resultados”, argumenta.

A diretora acadêmica da Faculdade Fênix, Vera Casério, concorda, mas faz uma ressalva. “A eficácia da amostragem irá depender dos critérios que eles adotarem para fazer a seleção dos alunos”, destaca.

A reportagem também entrou em contato com os representantes da Universidade Paulista (Unip) e Universidade de São Paulo (USP), mas eles não foram encontrados para comentar o Enade.

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Exame

O Exame Nacional de Cursos, popularmente conhecido como Provão, foi criado pelo Ministério da Educação (MEC) em 1996, com o objetivo de avaliar os resultados do processo de ensino e aprendizagem dos cursos de graduação espalhados pelo País.

Desde o início, o MEC determinou que somente os alunos que comparecessem para fazer o exame teriam os diplomas homologados, ainda que eles entregassem as provas em branco.

O método de avaliação, porém, jamais foi uma unanimidade entre os universitários. A contestação ao exame partia principalmente dos alunos das instituições públicas de ensino superior, insatisfeitos com os critérios de avaliação.

Na edição de 2003, por exemplo, estudantes de arquitetura, jornalismo, psicologia e matemática da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru fizeram campanha pelo boicote à prova. O movimento resultou em conceito E para os quatro cursos, já que a maioria dos inscritos deixou de responder às questões.

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