Botucatu - O avião Thrush 660 foi a grande vedete do primeiro dia do Congresso Nacional de Tecnologia Aeroagrícola (Contaero), realizado no Aeroporto Estadual “Tancredo Neves”, em Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru).
A aeronave chamou a atenção pelo tamanho e também por ser o primeiro modelo a aterrissar em território nacional. De fabricação americana, o Thrush 660 é ideal para o trabalho de pulverização nas grandes lavouras.
Com 17 metros de envergadura (distância de uma asa a outra), o avião é quase o dobro do tamanho de um modelo Ipanema, por exemplo, de fabricação nacional e um dos mais vendidos no País.
O Ipanema é fabricado em Botucatu pela Indústria Aeronáutica Neiva, subsidiária da Embraer e uma das maiores fabricantes de aviões do Brasil. Há cerca de dois anos, foi lançada uma versão a álcool do Ipanema.
O consumo de combustível é outro diferencial do avião americano. Enquanto seu principal concorrente, o polonês Dromader, é movido a gasolina, o Thrush usa querosene, mais barato.
Segundo o piloto e empresário Gianluca Possamai, proprietário do Thrush 660 que aterrissou ontem no aeroporto de Botucatu, não existe registro de acidente aéreo que tenha sido provocado por falha mecânica ou estrutural desse modelo. O Thrush 660 é fabricado desde 1996.
Ainda segundo Possamai, existem apenas 30 exemplares desse avião no mundo todo. Antes de chegar ao Brasil, cujo vôo inaugural foi feito ontem, de Manaus a Botucatu, a aeronave já foi vendida para países como África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, além dos Estados Unidos.
Talvez, uma das explicações para a baixa produção e comercialização desse modelo seja o preço. O aparelho exibido ontem no Contaero custou US$ 1,2 milhão - cerca de R$ 3,6 milhões.
A aeronave pode ser utilizada tanto na pulverização de plantações como no combate a incêndios. Seu reservatório tem capacidade para armazenar 2,8 mil litros de defensivos agrícolas ou 3 mil litros de água. Um dos maiores entre os modelos agrícolas comercializados atualmente.
Além do Thrush 660, o visitante pode conferir outras novidades no congresso de Botucatu. Entre elas estão equipamentos que fazem mapeamento digital das áreas pulverizadas.
O aparelho, parecido com um computador de bordo, é acoplado no painel dos aviões e emite relatórios em tempo real sobre o total de área sobrevoada, quantos hectares ainda faltam ser pulverizados, informa a vazão e o consumo de produtos e pode ser adaptado em qualquer aeronave. Segundo os expositores, o equipamento ajuda a reduzir os prejuízos dos médios e grandes produtores agrícolas com defensivos. Cada mapeador custa em média US$ 18 mil - cerca de R$ 54 mil.
Peças e assessórios de avião, souvenirs, macacões, corretora de seguros, lubrificantes e uma série de outros produtos destinados a pilotos e empresários do setor agrícola podem ser vistos e adquiridos nos estandes do Contaero.
Ontem, o número de inscritos já havia superado as expectativas dos organizadores. Até o meio-dia, o evento já registrava 1.012 pessoas em seu cadastro. O congresso segue até domingo e a presença do público deve aumentar ainda mais. No ano passado, o evento atraiu 730 participantes e 45 expositores.
Hoje, das 14h às 18h30, haverá palestras e debates sobre assuntos como a ferrugem da soja, uso de aditivos, utilização de aeronaves em incêndios e aplicação de defensivos à noite.
As palestras seguem amanhã o dia todo. No domingo, as atenções estarão voltadas para as exibições aéreas.