Cultura

Você escolhe bem os filmes?

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Não importa o tamanho da loja, quando um filme que foi sucesso no cinema chega em vídeo ou DVD às locadoras é quase impossível encontrá-lo na prateleira. Para poder levar a fita (ou disco) para casa é preciso entrar na lista de espera ou fazer reserva. A devolução deve ser em 24 horas e o preço da locação ainda é mais caro. Vale a pena?

Dependendo da vontade de se ver o filme até vale, mas se a procura pelo lançamento da semana é um mero costume estimulado pelas locadoras - sempre forradas de posteres de títulos novos que são verdadeiras bombas - ou desejo de estar “atualizado” com as produções mais recentes do mercado saiba que há opção melhor e mais econômica.

As mesmas locadoras que oferecem os últimos filmes dos Van Dammes da vida também guardam pequenas pérolas do cinema “escondidas” em suas prateleiras. Quem sabe encontrá-las, como o arquiteto Fabrício Aro, tem a oportunidade de ver - com calma e pagando menos - obras que nem sempre estão na lista do Oscar mas colecionam prêmios e prestígio pelo mundo como “Dogville” de Lars von Trier, por exemplo.

Mas o número de pessoas que procuram os filmes mais antigos ou menos conhecidos é pequeno. “As pessoas gostam de novidade, todo mundo é assim. Elas associam novidade com qualidade e levam o lançamento para casa mesmo que o filme seja ruim”, diz Luiz Gustavo Giati, gerente da 100% Vídeo.

Segundo Giati, diante de um novo título a curiosidade fala mais alto e a pessoa acaba deixando para descobrir em casa se o filme é bom ou não. Depois de um certo tempo, quando a obra passa a não chamar mais atenção, o comportamento tende a mudar, de acordo com o gerente. “Aí a pessoa vai atrás daquilo que ela sabe que é bom porque já ouviu falar”, explica Giati.

Assim, quem não liga para os lançamentos pode ir direto ao filé mignon sem ter que esperar o tempo passar ou os comentários dos amigos. Os filmes mais antigos chegam a custar até R$ 2,00 menos que os títulos mais recentes.

Uma questão de opção

É óbvio que nem todos os lançamentos são bombas armadas para enganar o cliente. Não há como negar a qualidade de filmes como “O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei” ou “Sobre Meninos e Lobos”, dois exemplos recentes de longas que estão no topo das listas das locadoras. A questão é quantidade de produções de gosto duvidoso que vem junto dos grandes títulos. “S.W.A.T. Comando Especial”, por exemplo, é uma superprodução tem astros hollywoodianos mas é apenas mais um filminho de ação. Quem quer uma aventura de verdade, inteligente, com atores em forma, pode optar logo ali, na prateleira ao lado, por “O Homem que Queria ser Rei”, de John Huston. Vai locar uma comédia? Ao invés de recorrer ao primeiro Jackie Chan ou Martin Lawrence que encontrar, por que não buscar os DVDs de Billy Wilder?

Existem basicamente três tipos de filmes que ficam empoeirando nas locadoras: os clássicos, que agora com o DVD têm voltado com força total às lojas, mas não às casas dos clientes; os filmes desconhecidos e cults, geralmente de filmografias pouco usuais para os brasileiros, como a do Oriente Médio ou da Argentina por exemplo; e os filmes que, apesar de comentados e - muitas vezes - vencerem prêmios, não chegaram a passar em muitas salas de cinema ou nem foram lançados, pulando direto da produção para locação.

Nos três casos existem grandes obras que merecem ser vistas como a recente comédia alemã “Adeus Lenin!”, o drama argentino “O Filho da Noiva”, ou o mexicano “Amores Brutos”, que já tem alguns anos e é do mesmo diretor do lançamento “21 Gramas”, um filme americano.

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