A Associação Bauruense de Apoio e Assistência ao Renal Crônico (Abrec) coordenou ontem o 1.º Encontro Interdisciplinar em Insuficiência Renal Crônica. O evento, destinado a profissionais e estudantes da área de saúde, foi realizado nas dependências do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru.
O objetivo principal do encontro foi mostrar a atual realidade dos portadores de insuficiência renal crônica no Brasil e, em especial na região de Bauru, cidade que recentemente passou por uma crise no setor de hemodiálise em um dos seus maiores hospitais. Além disso, foram abordados temas como a prevenção e a doação de órgãos. Participaram, entre outros, os especialistas em nefrologia Edmundo Octávio Raspanti, de Ribeirão Preto, e Amélia Trindade, do Hospital da Unesp de Botucatu, além do médico endocrinologista bauruense Carlos Negrato.
Atualmente, em Bauru, mais de 150 pessoas com insuficiência renal crônica (mal que resulta de lesões irreversíveis e progressivas causadas por doenças que tornam o rim incapaz de realizar suas funções) precisam passar por sessões de hemodiálise.
Segundo a médica nefrologista do Centro de Hemodiálise do Hospital de Base (HB) Maria Tereza Faifer, em 60% dos casos os pacientes também sofrem de diabetes ou hipertensão arterial. Por isso é muito importante que essas disfunções sejam detectadas o mais cedo possível e tratadas para que não lesionem os rins. “Muitas pessoas já têm seus órgãos comprometidos quando descobrem que sofrem de diabetes ou hipertensão”, diz a médica.
O tema foi discutido no encontro, que apontou a necessidade de se informar a população da importância da prevenção através de campanhas e trabalhos educativos nas empresas.
O evento da Abrec também marcou o lançamento da Campanha Permanente de Prevenção em Saúde Renal e de Doação de Órgãos, da associação. De acordo com Maria Celeste Robelli, psicóloga e voluntária da Abrec, o índice de doações de rins em Bauru é muito baixo e, muitas vezes, para os portadores de insuficiência renal crônica, o transplante é a única esperança de atenuar o sofrimento causado pela doença.
Segundo Robelli, o encontro de ontem foi a primeira de uma série de ações para conscientizar a população da importância da doação de órgãos. Outras atividades previstas na campanha são a criação de um jornal, folders e folhetos informativos e a realização de palestras.