Já não foram poucas as revisões constitucionais efetuadas no País e, no momento, tenta-se fazer mais outra, porque os problemas estudados nas anteriores perseveram ininterruptamente, uma vez que as tentativas quanto à sua solução não trouxeram os resultados pretendidos, haja vista que continuam à mostra, perceptíveis a longa distância, as deficiências das mudanças sociais, previdenciárias, agrárias e demais. O que lhes falta para colocar a nação nos trilhos de locomotivas rápidas e não descaminhadas, apitando estridentemente sem que, no entanto, sejam ouvidas por quem de direito? Acredita-se que somente uma decisão as levaria ao porto ou estação segura: a adoção de caminhos que conduzam ao epílogo da corrupção moral, existente em todas as searas nacionais, com uma infiltração que não deveria esquecer tudo que o P/aís desenvolve de bom para que não venha a parar, naturalmente cansado, a jornada que tem pela frente. Pôr fim à corrupção não pode continuar demorando, uma vez que a sociedade de maneira alguma consegue espera-lo, como, também, não o conseguem, os sentimentos alimentados pela opinião pública de que os desonestos não podem continuar impunes, fugindo facilmente dos castigos da lei, os quais denotam atualmente existir somente para os desprotegidos e nunca para os detentores de postos de comandos executivos, legislativos, empresariais e sociais. As reformas estruturais reclamam urgência e, conseqüentemente, os poderes públicos não têm de continuar se comportando como que “deitados em berço esplêndido, à luz do raio do sol do novo mundo”, sem pressa de dar-lhes encaminhamento expresso, sem o que prosseguirá a inflação moral que infelicita o povo e, da mesma forma, a economia, que condena a coletividade a pagar fortunas pelo atendimento de suas necessidades materiais e alimentares e, os assalariados, à perda quase absoluta de seu poder aquisitivo.
O Brasil se encaminha para o final deste ano e tem motivos mais que suficientes para desejar entrar em 2005 com vida nova, de maneira a patentear que a desonestidade e a ineficiência têm remédio, ainda que a preços altíssimos como os da indústria farmacêutica, que não se curva nem diante das exigências legais dos genéricos, voando alto como as andorinhas do verão oceânico. Falando-se de trem, lembra-se: “Na memória esgarçante do menino, onde a estrada de ferro tem seu canto entre morros, vales e rios espraiados, vai o trem fumegando ruidoso, apressado, apitando nostalgia, chorando e contornando os caminhos do passado”. É a nossa opinião!
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Impresa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.