Phobos e Deimos (Medo e Pânico): São as duas pequenas e intrigantes luas do planeta Marte. Segundo a mitologia grega, esses eram os nomes de dois filhos de Ares, o deus da guerra (Marte, para os romanos), e Afrodite, deusa do amor e da beleza sensual (a Vênus do Lácio). Curioso: o deus da guerra e a deusa do amor geraram medo e pânico? E ainda dizem que a ambigüidade é uma característica humana...
Mais curiosamente ainda, a Terra está entre Vênus e Marte, e a economia brasileira entre o medo e o pânico. Vamos amar ou vamos à guerra? Bem, Phobos e Deimos orbitam Marte, assim como a economia brasileira depende dos interesses das potências mundiais. As luas são atraídas pelo campo magnético do “Planeta Vermelho” enquanto o Brasil é traído pela dívida externa e limitação tecnológica que o deixam submisso a países que, interessantemente, têm a cor vermelha em suas bandeiras!
Subordinado a esses fatores, o tratamento que vem sendo dado a nossa economia tem apresentado resultados semelhantes ao de um coma induzido ou sonoterapia. A dieta utilizada: limitação de investimentos em infra-estrutura, juros altos, tributação absurda e atendimento às rígidas e anacrônicas metas do FMI; parece egressa de um “spa”, versão campo de concentração, ou seja, em vez de deixar o paciente sadio e em forma, torna-o anoréxico e apático.
Não é à toa que o comportamento do mercado de capitais do Brasil alterna momentos de euforia, medo e pânico. Esse comportamento maníaco-depressivo talvez explique a presença de um médico no comando do Ministério da Fazenda...
Na condução da política econômica nacional sobram temor e cautela, mas faltam ousadia e criatividade para inovar, mesmo que homeopaticamente. Será que é por que nem todos os médicos confiam nessa terapia? Os juros astronômicos inibem os financiamentos e deixam a economia azul, como Vênus, de asfixia. A tributação marciana sangra os proventos, deixando todos vermelhos, como Marte, de raiva.
Bom, se economia é isso, então, além de técnico de futebol, todo o brasileiro também pode ser economista! Só que o futebol brasileiro, depois da saída do Felipão, também virou adepto do medo e pânico... Mas já que a economia é dinâmica e, até, célebres agraciados com o Prêmio Nobel de Economia renegaram e abominaram suas teorias premiadas, creio que cada um de nós tem o direito de dar o seu palpite, por mais absurdo que seja. Aí vai o meu: E se em vez dessa “órbita estacionária” o governo estabelecesse um período - de dois ou três meses - no qual juros e tributação fossem racionalmente reduzidos, como no acordo de redução de IPI para as montadoras de veículos?
Nesse prazo o governo avaliaria os efeitos da medida sobre a arrecadação e nível de emprego, e definiria sua continuidade e aprimoramento, ou o retorno, temporário, sem traumas, à ortodoxia. Medo? Ora: Investimentos envolvem riscos, desde que não sejam de morte ou caos. Pânico? Só se não houver esclarecimento e negociação, prévios, com as instituições envolvidas e a própria sociedade. Será que o governo teria discernimento e coragem para editar esse tipo de medida provisória, escapar da órbita e buscar novos caminhos, próprios; ou preferirá continuar andando em círculos, cheio de temor - como Phobos e Deimos - ao redor de Marte?
Não sei nem mesmo se a idéia é viável, tantas são as variáveis influentes... Mas não faz nenhum sentido um país como Brasil conformar-se ou submeter-se, indefinida e resignadamente, à condição de mero satélite!
O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é engenheiro, professor universitário e articulista.