Num desses entrevistões do Pasquim-21, Guilem Rodrigues da Silva diz o seguinte: “Um vereador na Suécia nada ganha. Não tem salário. As sessões da Câmara de Vereadores são sempre à noite, para que as pessoas possam comparecer depois de seu trabalho. É um trabalho cívico, pelo bem da comunidade. Assim você trabalha com muito mais entusiasmo. Não há empreguismo nem mamata.” E mais: “A violência é praticamente inexistente. Em 100 anos morreram apenas 30 policiais em combate na Suécia.” Guilem, exilado em Montevidéu após o golpe de 64, foi parar na Suécia. Aprendeu o idioma, tornou-se professor de línguas neolatinas e de... sueco. Autor de oito livros, juiz (“O sistema sueco é muito diferente do brasileiro...”), presidente da Associação de Escritores desde 1989 (“A cada vez que seu livro é emprestado de uma biblioteca sueca você recebe uma coroa...”), morou num castelo, teve quatro esposas, tem sete filhos... O inacreditável é que no fim da entrevista ele não descarta a possibilidade de voltar ao Brasil depois de tantos anos vivendo tão bem por lá. “Se tivesse um trabalho político a fazer no Brasil, uma proposta séria, como um convite de um partido político, conseguiria viver no Brasil.” Um dos entrevistadores (Ricky Goodwin) insiste: “Mas após ter vivido nas condições que descreveu, entre um povo consciente, educado, numa sociedade de bem-estar, não seria um choque cultural?” Guilem: “No princípio, sim, mas ainda sou brasileiro. O jogo de cintura não desapareceu.” Teria muito a ensinar.
Julio Diogo - RG 13.913.837-7