Pesca & Lazer

História de Pescador: Peixe na brasa


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“Meus caros amigos, este fato me foi contado por um pescador lá de Goiânia. Conhecemo-nos no rio Miranda, no Pesqueiro da Neuza, no belo Pantanal de Mato Grosso do Sul. Não garanto a veracidade do ocorrido, mas confesso que me deixei levar pela simpatia e pela habilidade de se comunicar daquele senhor de cabelos cor-de-prata, fala mansa, cuja face serena, já bem marcada pelo tempo, ostentava belos olhos azuis, além de um sorriso matreiro a suscitar desconfiança ...

Em tom de brincadeira, perguntei se ele não fazia parte de uma dupla sertaneja, o maior produto de exportação do Estado de Goiás. Até arrisquei um nome que poderia ser ‘Carretilha e Molinete’, já que o nosso papo era pescaria. Respondeu-me sorrindo que por lá, quem não canta é criador de gado.

Em seguida completou: ‘Tenho uma fazenda com mais de mil cabeças e um pesqueiro com dois lagos cheios de pacus! Sou também muito organizado e tudo lá é muito bem cuidado e controlado pelos meus funcionários. Sou conhecido pelo nome de Seu Carlos Modelo, já que todo fazendeiro da região se espelha na minha propriedade para organizar a sua fazenda. Todos os meus bois têm a marca CM (Carlos Modelo) gravada com ferro em brasa em suas ancas’.

Curioso, e anteriormente informado por outros pescadores hospedados no pesqueiro, perguntei ao ‘fazendeiro-pescador’ o que de espantoso havia acontecido em sua fazenda. ‘Já correu a notícia, é? Então, seu Fernando, escuta só’, e começou a narrar a história.

‘Numa manhã de domingo havia alguns pescadores às margens de um dos lagos, onde meu gado circulava livremente entre as pessoas. De repente, um pescador gritou esbaforido:

- Gente, vejam o que é organização! Peguei meu primeiro pacu e olhem só a marca nas costas do bitelo CM! Até os peixes por aqui são marcados!

Foi aí, seu Fernando, que eu tive de explicar: calma pessoal, minha organização não chega a tanto. É que meu funcionário costuma marcar os bois aqui na margem do lago, com o ferro em brasa. Depois, ele aproveita as águas do lago para esfriar o instrumento. Aposto que no mergulho do ferro na água ele acertou as costas do peixe que passava nadando. Foi pura coincidência, seu Fernando!’ E eu acreditei ...”

Fernando Lucilha Júnior é pescador, contador de “histórias” e, atualmente, trabalha na fazenda do seu Carlos marcando peixes com o ferro em brasa.

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