O governo federal anunciou recentemente investimentos de R$ 2 bilhões na recuperação de 40 mil quilômetros de rodovias em todo o País. A tarefa é árdua, já que mais da metade das estradas brasileiras encontra-se em deplorável estado. A má conservação das rodovias está relacionada a uma intrincada rede de problemas históricos de difícil descrição até pelos mais experientes na área de transporte. Porém, focando unicamente a questão pouco abordada da sinalização viária horizontal e vertical, constata-se, por exemplo, haver problemas neste campo, transcendentais ao simples fato de os sinais pintados nas pistas ou inseridos nas placas não serem corretamente utilizados em diversas rodovias do País, como determina o Código Brasileiro de Trânsito.
O vandalismo é um dos problemas que extrapolam o aspecto técnico. Placas de aço e de alumínio para a sinalização vertical são constantemente furtadas e vendidas como sucatas. Estas mesmas placas são também danificadas por inescrupulosos, que as perfuram com balas de revólver ao passarem por elas nas ruas e estradas. Um absurdo!
Um outro problema é o fato dos pavimentos não estarem em condições adequadas de uso. Isso faz com que a aplicação da sinalização horizontal passe a ser um grande desafio. Se o material de demarcação utilizado no pavimento ainda não for de qualidade - infelizmente, um fato comum -, a situação fica ainda mais dramática, porque o motorista encontra outro problema sério para trafegar com segurança.
Com isso, verifica-se que os projetistas e estudiosos na execução de sinalização vertical e horizontal nos sistemas viários precisam aproximar-se mais do mercado de materiais deste segmento, com o objetivo essencial de trocar informações com relação a soluções inovadoras e mais adequadas ao mercado brasileiro. Para se coibir o vandalismo, por exemplo, já há no mercado placas de fibra de vidro de baixo interesse comercial como sucata, que substituem perfeitamente o aço e o alumínio. Além disso, também existem materiais de demarcação extremamente resistentes em pavimentos que sofrem com um número excessivo de veículos circulando.
Assim, é preciso ter cuidado no investimento destinado à melhoria da malha rodoviária brasileira para que atinja todos os elementos integrantes do sistema de transporte terrestre no País, de modo a solucionar o problema de maneira definitiva. Faz-se necessário disseminar o conceito de que restaurar estradas não significa apenas realizar uma operação tapa-buraco. O uso de materiais adequados em todos os itens componentes do sistema viário deve ser considerado na recuperação das estradas.
A aplicação de verba nas estradas é essencial para o crescimento da economia no Brasil. Com planejamento e interesse na melhoria e progresso, através das rodovias, R$ 2 bilhões podem reverter-se em benefícios econômicos por longo tempo.
A autora, Áurea Rangel, é especialista em sinalização viária.