Economia & Negócios

Protesto por reajuste salarial reúne mais de dez entidades

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Servidores públicos estaduais da educação, saúde, segurança e do Judiciário, entre outras categorias, interromperam o trânsito do Centro da cidade em manifestação, ontem pela manhã. Eles haviam decretado paralisação prudencial de 24 horas, em defesa do serviço público de qualidade e pela reposição salarial. O ato foi iniciado na praça Rui Barbosa e seguiu pelas ruas 1º de Agosto e Gérson França até a Câmara Municipal de Bauru. Ato semelhante foi realizado em outras 13 cidades do Estado, inclusive na Capital.

De acordo com o coordenador regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Duílio Duka de Souza, a manifestação contou com representantes de mais de dez entidades da cidade. “Estamos fazendo esse ato, ao lado das entidades dos servidores públicos estaduais, para desbancar as mentiras que o governador (Geraldo Alckmin) insiste em dizer, que os servidores públicos tiveram reajuste. Nós provamos, com os holerites nas mãos, que não temos reajuste há quase dez anos”, ressalta.

A diretora regional do Centro do Professorado Paulista (CPP), Vera Durand, destaca que o ato foi encerrado em frente à Câmara para pedir o apoio dos vereadores. “Já foram esgotadas todas as formas de negociação com o governo. Foi prometido para o final de maio que, com o aumento da arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), teríamos o aumento salarial tão sonhado há nove anos. Mas o aumento não veio, e agora, só mesmo com a luta o governador vai nos enxergar”, afirma.

A categoria dos servidores da Saúde também apoiou a manifestação, apesar de não ter aderido à paralisação das atividades. De acordo com a dirigente regional do Sindsaúde, Mariuze Inês Pereira Miranda, a categoria está em negociação com o governo após greve de 45 dias em várias cidades, mas ainda não receberam qualquer proposta satisfatória. Amanhã, há uma reunião agendada com o secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata.

“Se o governo não encaminhar qualquer proposta que atenda as reivindicações, os trabalhadores estão dispostos a voltar à greve. Hoje (ontem), estamos dando apoio aos nossos colegas”, frisa.

A manifestação, que não chegou a causar prejuízos à população, também contou com a participação de representantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP), que estão em greve há 40 dias.

Poder Judiciário

Os funcionários da Justiça Estadual também paralisaram suas atividades ontem, por tempo indeterminado. De acordo com a Associação dos Funcionários do Poder Judiciário de Bauru, a adesão no Fórum municipal foi de 63% dos cerca de 400 servidores. A entidade espera conseguir 90% de adesão até segunda-feira.

A principal reivindicação da categoria é o reajuste de 39,19%, referente à defasagem salarial de 2000 a 2003. As negociações tiveram início no mês passado e o Tribunal de Justiça já reconheceu a defasagem, com aprovação de reajuste de 26,39%, baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). No entanto, o reajuste ainda não foi concedido, o que deflagrou o movimento de greve.

O atendimento ao público e aos profissionais já está bastante reduzido em função da paralisação. De acordo com a associação da categoria, os advogados estão impossibilitados de protocolar petições e o atendimento por telefone está suspenso. Apenas os processos urgentes estão recebendo continuidade.

A entidade informa ainda que a paralisação atingiu 100% dos servidores nos Fóruns de Pederneiras, Piratininga, Piracicaba, Tatuí, São Caetano, Cubatão e São Vicente. Em Avaré e Pirajuí, a adesão chegou a 90% e 70%, respectivamente. Até o final da tarde de ontem, os servidores da Justiça Estadual ainda não haviam recebido qualquer nova proposta do governo.

O presidente da subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Edson Reis, afirma que a entidade é “radicalmente contra a paralisação dos funcionários da Justiça”. Segundo ele, a greve da categoria gera sérios danos à população com o adiamento do julgamento de processos.

“Os advogados ficam impedidos de trabalhar quando os servidores do Judiciário param. Até hoje nós sentimos os efeitos da greve da categoria em 2001, que emperrou milhares de processos. Eles não ganham mal e estão fazendo greve em razão de um repasse que não foi feito. Esses serviços não poderiam ser paralisados nunca”, critica.

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Bancários

Os bancários iniciam hoje a campanha salarial 2004 da categoria. Segundo a diretoria do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, o índice de reajuste reivindicado é de 25%, que corresponderia às perdas salariais acumuladas nos últimos anos. O sindicato afirma que o lucro dos bancos cresceu mais de 1.000% em dez anos.

Outra reivindicação é o fim das demissões nos bancos. De acordo com o sindicato, em 1989 existiam 800 mil funcionários no setor, sendo que atualmente são menos de 400 mil no País.

Para melhorar o atendimento à população, também está sendo reivindicada a abertura dos bancos das 9h às 17h, com dois turnos de trabalho. Com isso, seriam gerados cerca de 160 mil empregos.

Está prevista para hoje uma distribuição de panfletos explicativos sobre a campanha para bancários e clientes, em frente às principais agências bancárias de Bauru.

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