Começa hoje, pelo Jardim Gérson França, um mutirão de limpeza para combater a leishmaniose visceral humana em Bauru. Entre 50 e 60 funcionários da prefeitura vão atuar em pontos propícios a tornarem-se criadouros do mosquito transmissor da doença devido ao acúmulo de lixo. A cidade contabiliza dez casos da doença neste ano e 15 em 2003. Duas pessoas que contraíram leishmaniose morreram.
O objetivo é recolher lixo depositado indevidamente em áreas públicas e terrenos particulares baldios, explica Maria Helena de Abreu, diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC). “Fizemos uma vistoria pela cidade e verificamos que a situação é crítica em vários pontos. Por isso decidimos fazer essa ação conjunta”, explica.
O mutirão também vai atuar em erosões e em margens de córregos. Hoje, às 9h, as equipes estarão concentradas na quadra 14 da rua Santa Terezinha, no Jardim Gérson França. O bairro, com um caso de leishmaniose neste ano, é prioridade porque tem vários locais de acúmulo de lixo, ressalta Maria Helena.
Um deles é na rua Marieta França. Há uma grande quantidade de lixo domiciliar espalhado em um terreno a poucos metros das casas, apesar da rua contar com o serviço de coleta.
Um morador, que prefere não identificar-se para evitar desentendimentos, afirma que boa parte do lixo é jogado por vizinhos seus. “Eu mesmo já joguei uns sacos de lixo nesse terreno, mas depois percebi que estava errado e parei. Mas ainda tem muita gente que, ao invés de colocar o lixo para o caminhão recolher, joga lá”, diz.
Outra moradora da rua, que também pediu para ter seu nome preservado, confirma o problema. “Os vizinhos jogam lixo nesse terreno. Se a gente reclamar, acaba em confusão. Então eu cuido do meu lixo e não falo nada. Mas acho que deveriam fiscalizar para pegar quem está jogando lixo”, sugere.
O mutirão envolve as secretarias de Saúde, Meio Ambiente, Administrações Regionais, Agricultura, Planejamento, Obras e Negócios Jurídicos. Também participam o Departamento de Água e Esgoto (DAE), Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e Defesa Civil.
Serão usados equipamentos manuais, pá-carregadeiras e caminhões, de acordo com a necessidade. O material recolhido será transportado até o aterro sanitário. Enquanto isso, os agentes de saúde vão mobilizar os moradores para manter os quintais e terrenos baldios limpos.
Paralelamente, as equipes de saúde percorrem os bairros das regiões com casos de leishmaniose. Eles procuram mais pessoas com sintomas da doença, coletam sangue de cães, fazem conscientização da população e vistoriam o meio ambiente.
As ações de combate à leishmaniose, afirma Maria Helena, estão embasadas em normas técnicas da Organização Mundial da Saúde (OMS). As medidas tomadas são comunicadas ao Ministério Público, Promotoria do Meio Ambiente, Secretaria de Estado da Saúde, Conselho Regional de Medicina e Unimed, dentre outros.