Cultura

Artigo - 'Pelé Eterno': é bom que o vejam

David Cintra
| Tempo de leitura: 2 min

“Pelé Eterno” é obrigatório. Os argentinos devem assisti-lo, principalmente Maradona e seus fãs. Talvez os faça cessar com as comparações. Os europeus também. Poderão descobrir que têm poder econômico para tomar-nos muitos craques, e alguns pernas-de-pau, mas não tiveram o prazer de ver o maior de todos eles com alguma camisa milionária do Milan, Juve, Barça, Manchester, etc.

Todos os brasileiros devem vê-lo. Os mais velhos para recordar, os jovens para conhecer um pouco mais da história de nosso futebol, entender o que é “Era Pelé”. Um tempo em que sequer havíamos sido campeões mundiais. Ganháramos títulos importantes na América do Sul, mas jamais experimentáramos o gostinho de erguer a Jules Rimet, aquela que foi roubada.

Pelé surgiu em meio a uma geração talentosa e vitoriosa e foi o mais talentoso e mais vitorioso representante dessa geração. Talvez até exista alguém que conquistou mais títulos. Não como os dele. “É fácil fazer mil gols como Pelé, difícil é fazer um gol como Pelé”, disse Nelson Rodrigues.

Os mais jovens, que conhecem muito mais a “celebridade” Edson Arantes do Nascimento do que o jogador Pelé, devem assisti-lo. Para compreender porque Edson é Edson e Pelé é Pelé.

Os cariocas devem formar filas para ver Pelé jogar, e, óbvio, marcar gols, com as camisas de Vasco e Flamengo. Os nordestinos também devem assistir “Pelé Eterno” para confirmar o que agora o Brasil todo saberá: o histórico gol de número 1.000 foi programado para acontecer no Maracanã. Para evitar que isso não ocorresse, Pelé jogou até de goleiro (no Recife?). Não importa. Aliás, esse é mais um bom motivo para que os cariocas assistam ao filme.

Os mineiros também devem lotar as salas e sair satisfeitos por lembrar que, na verdade, Pelé é um mineiro. Não o estereotipado “mineirinho come-quieto”, mas um consangüíneo. A origem não se perde, mesmo que não se tenha visto ainda mineiro mais paulista que Pelé.

Os paulistas não podem perder a oportunidade de assisti-lo. Santistas principalmente. Para delirar e rir um pouco dos rivais. Gargalhar com as humilhações impostas pelo Rei aos eternos inimigos alvinegros, tricolores e alviverdes. Estes, por sua vez, poderão, enfim, perdoar o “Negão”, ele não fazia por mal. O filme insinua até que ele fosse corintiano.

Os bauruenses devem lotar as suas salas de cinema - já famosas por seus desconfortos físicos e acústicos, diga-se de passagem - e orgulharem-se de pisar no mesmo chão em que se desenvolveram as raízes do maior jogador de futebol de todos os tempos.

Um porém apenas. A julgar pela sessão em que vi o filme, juntamente com mais ou menos outras vinte pessoas, boa parte dos bauruenses perderão essa oportunidade. O detalhe me fez compreender melhor a cena em que a mãe de Pelé afirma que relutou em deixá-lo ir para o Santos e o Rei, felicíssimo e aliviado, agradece por ela ter permitido.

Comentários

Comentários