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De estação a estação


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Não existem para servir apenas de alguma parada que tenhamos de fazer no decurso, pequeno ou amplo, da preciosa vida que temos. Mas que elas existem, incontestavelmente existem, não se sabendo o tamanho de suas esplanadas, nem se são de alvenaria ou de madeira. Sobre o que estamos escrevendo, o que são e como funcionam sem solução de continuidade? São as denominadas estações, não ferroviárias ou rodoviárias, e, sim, da vida existencial, que se vive todos os dias. E se tem de empolgar com elas, sejam quais forem, assim como temos de nos preparar a fim de rumar na sua direção, de uma para outra, pois, normalmente, temos tempo para isso, de modos diferentes, mas reais, umas distantes das demais. A primeira estação, chamada primavera, constitui-se na infância, apresentando a vida em botão, com beleza empolgante, assim como promissor enfeite de seus genitores. Após os raios primaveris vem o verão, com as luzes da juventude, senhor de um calor inédito e um vigor sem tamanho, que explode vidas e promessas, amadurecendo frutos, abrindo flores, enfeitando com belezas os seus cenários. Atrás dele acontece o outono, o qual, representando a maturidade, empresta aos seres humanos os sonhados prêmios da esperança. E, então, vem a última estação da vida, longa para muitos, curta para outros. É o inverno com seus clássicos frios, gelados, arrepiantes, sua sabida paralisia, seu misterioso sepultamento de seres, fatores que outra coisa não fazem a não ser dar ensejo à velhice dos tempos de cada um, considerando-se, então, que tal estação não pode, com seu lençol branco, significar mortalha definitiva e, sim, a coberta do descanso a todos oferecida no final dos tempos de cada um. Todos são passageiros gratuitos da longa ferrovia, em cujas estações ficam olhando a passagem de uns e de outros, pois seus trilhos são os mesmos de quantos estejam à sua frente, cabendo a todos apenas saber e aceitar que um dia sua locomotiva aportará na esplanada oferecendo-lhe espaço para a sua última viagem.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Se os melhores perfumes vêm em frascos miúdos, as grandes amizades se provam nos gestos pequenos”.

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