Política

Sinserm questiona risco da ponte cair sobre servidores

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) está questionando qual o risco da ponte Ayrton Senna cair sobre os funcionários que estão trabalhando na recuperação da estrutura. Sônia Carvalho, diretora do sindicato, diz que a possibilidade foi levantada pelos próprios servidores, há mais de 15 dias, e reforçada após a divulgação da notícia de que a Tofer Engenharia, empreiteira que construiu a ponte, informou o Judiciário que a obra pode desmoronar.

O secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, garante que os servidores estão trabalhando em total segurança porque a ponte parou de ceder há seis meses e afirma que a tese da Tofer é improvável. “Para executar o serviço que está sendo feito, foram tomadas medidas para que a ponte tivesse estabilidade. Debaixo dos pilares, foram colocadas estacas adicionais para garantir essa segurança e há seis meses à ponte está estável”, diz.

Padovan afirma que se algum funcionário estiver com medo de trabalhar nas recuperação da ponte pode pedir para ser transferido para outra obra. Manoel Feitosa, um dos funcionários que trabalham na recuperação da ponte, disse desconhecer a preocupação dos colegas. “Aqui não tem ninguém preocupado, não. Estamos trabalhando e não há esse risco de cair. Está tudo sobre controle”, afirma.

Entre 18 e 20 funcionários da Secretaria de Obras estão trabalhando na recuperação da ponte. O Sinserm, no entanto, quer uma terceira avaliação. “Fomos procurados por servidores que estão trabalhando na ponte e que estão com medo. Estivemos no local, fotografamos tudo e levamos ofício à Secretaria de Obras pedindo uma avaliação. O Padovan (o secretário de Obras) assinou um ofício afirmando que não há risco e anexou um laudo dizendo que não há perigo. Depois disso, a própria Tofer alertou que a ponte pode cair e nós achamos que é preciso um terceiro laudo”, explica.

A sindicalista disse que ainda ontem iria protocolar um ofício endereçado ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) pedindo um laudo. “Vamos recorrer ao Crea. Nós somos leigos no assunto e queremos esclarecer isso. Tem gente trabalhando embaixo da ponte. Achamos que é preciso embargar a obra”, frisa.

Procurado pelo JC, Luiz Bombonato Filho, secretário do Crea em Bauru, diz que não é função do órgão emitir laudos de obras. “O Crea é um órgão fiscalizador do exercício profissional. Podemos verificar se há engenheiro responsável pela obra. Se houver - e no caso desta ponte sabemos que há - é responsabilidade dele”, diz.

Para Marcos Wanderley Ferreira, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru, não há risco da ponte Ayrton Senna desabar, uma vez que está interditada para a passagem de veículos. “Nós já avaliamos a situação da ponte e esse risco não existe porque ela está interditada. Se ela estivesse sendo usada, teria risco de afundar, não desmoronar”, diz.

Para Padovan, não é preciso nova avaliação da ponte. “Temos laudo de especialistas da Unesp (Universidade Estadual Paulista) atestando que há seis meses a ponte não baixa nem um milímetro. Estamos com os maiores consultores do Brasil”, frisa. A Secretaria de Obras ainda não tem previsão de quando a recuperação da ponte será concluída.

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Entenda o caso

A ponte Ayrton Senna, construída em 2000 sobre o rio Bauru para ligar a região do Mary Dota à do Distrito Industrial 1, está interditada desde janeiro do ano passado. A medida foi necessária porque surgiram rachaduras na base da ponte.

A Prefeitura Municipal de Bauru acionou na Justiça a Tofer Engenharia, empresa que construiu a ponte, para responder pelos problemas que levaram à interdição. Na ação, a prefeitura pede ressarcimento do prejuízo.

Há também uma ação popular proposta pelo vereador Toninho Garmes (PSDB), na qual figuram como réus a administração municipal, a construtora, o prefeito Nilson Costa (PTB), o engenheiro responsável pelo projeto, Osnei Torquato Ferreira, Raul Gomes Duarte (ex-secretário de Finanças), Edmilson Queiroz Dias e Antônio Carlos Duarte Neto (ex-secretários de Obras) e Albiero Projetos e Construções Ltda, que participou da elaboração do projeto.

Na ação popular, o vereador pede a reparação dos danos gerados pela construção, a reposição dos valores utilizados na obra e todas as despesas geradas na reconstrução. O ofício protocolado pela Tofer, em que alerta que a ponte pode cair se medidas de proteção das estruturas de fundação não forem tomadas, foi anexado ao processo que corre na 5.ª Vara Cível.

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