Tribuna do Leitor

O GRITO DO IPIRANGA: SAÚDE OU MORTE


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O Brasil concentra riquezas, terras e propriedades nas mãos de poucos enquanto, de outro lado, espalha a miséria, a fome, o desemprego, o medo e a falta de moradia na vida de milhões de cidadãos excluídos da nossa tosca organização social. Neste contexto insere-se a vexatória situação da saúde pública no Brasil.

Em Bauru não é diferente. Já viram um Pronto-Socorro que não tem médicos e que não presta socorro? Pois é que está acontecendo no PS da Vila Ipiranga. O fato é absurdo, mas é o espelho do descaso dos governantes e da nefasta política neoliberal que visa destruir o que resta dos serviços públicos, afetando diretamente os moradores dos bairros, os desempregados, os aposentados, enfim, aqueles que dependem dos serviços públicos.

Doentes, adultos ou crianças, que lá comparecem chegam a aguardar 5 ou 6 horas para que uma ambulância os desloquem para o PS Central, o que coloca em risco a vida e a integridade física e moral daqueles que dependem de atendimento de urgência e emergência.

A pífia administração municipal se recusa a melhorar as condições de trabalho dos profissionais da saúde e sequer se preocupa em dotar o PS do Ipiranga de condições de atendimento digno à população daquela grande região.

Já havíamos denunciado há meses atrás a intenção do Governo Nilson Costa em extinguir pronto socorros somente para reduzir o pagamento de adicionais dos servidores da área da saúde. Já entramos com representação no Ministério Público, tanto pelo Sindicato dos Servidores Municipais como pela Comissão de Direitos Humanos da OAB.

Mas isso não é suficiente. Enquanto a população afetada pelo descaso não se insurgir, não se mobilizar, não exigir providências imediatas da administração municipal, o caos se manterá instalado.

A lei criou o PS do Ipiranga e ela deve ser cumprida. Haveremos que exigir contratação de médicos, dotação de equipamentos, remédios e ambientes decentes de atendimento. A mesma facilidade que a administração teve de pagar carne antecipada e reconhecer dívidas milionárias obscuras, como a da CPFL, não é encontrada para resolver os problemas de saúde da população dos bairros.

É ora de do Ipiranga dar o seu grito, exigindo o retorno do PS antes que alguma morte por falta de atendimento faça parte das páginas negras da história de Bauru. (Sandro Luiz Fernandes - advogado OAB/SP 105.702)

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