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Estudo compara prédios de Bauru e Jaú

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Além de se mostrar uma cidade de expressão futurística na arquitetura, Bauru também resgata sua história observando o estilo dos prédios do passado. Estudantes do curso de arquitetura da Universidade Paulista (Unip) estão desenvolvendo um estudo dos principais edifícios da cidade do ponto de vista da concepção arquitetônica.

O objetivo é traçar um comparativo entre o estilo adotado no município e em Jaú ao longo do último século. A coordenadora do projeto, professora Artemis Rodrigues Fontana Ferraz, destaca que estão participando do levantamento estudantes do 1.º, 2.º e 3.º ano do curso. “Cada turma realiza trabalho diferente”, salienta.

A atividade começou com os alunos fazendo uma expedição pelos principais pontos a serem analisados nas duas cidades.

Em Bauru, o trabalho se concentrou nos prédios do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), no Palácio das Cerejeiras (sede da prefeitura) e no ginásio de esportes do Noroeste (Panela de Pressão).

A professora, que desenvolveu a sua dissertação de mestrado “Marcas do Moderno na Arquitetura de Bauru” sobre a atuação dos arquitetos modernos na cidade, está resgatando junto aos alunos a concepção dos prédios da cidade, em comparação com a arquitetura desenvolvida em Jaú. “Embora as cidades sejam bem próximas, há muitas diferenças entre elas no que diz respeito à arquitetura”, salienta.

Art déco

A primeira delas tem a ver com a origem dos municípios: enquanto Jaú cresceu sobre a base da cultura cafeeira, Bauru teve como alicerce os trilhos da ferrovia. “Na cidade vizinha, havia uma visão mais conservadora, enquanto em Bauru o que se destacava era o modernismo”, salienta.

Tanto é que, como ela destaca, em Jaú é muito mais forte a questão do sobrenome de família do que em Bauru. “Lá a tradição é uma característica muito evidente.”

Essa cultura se reflete de maneira clara nas construções. Os prédios da cidade vizinha são ricos em detalhes e buscam inspiração no estilo europeu, com requintes específicos da arquitetura francesa e italiana.

Um dos exemplos é o Grupo Escolar Major Prado, inaugurado em 15 de novembro de 1914.

Já em Bauru impera a modernidade, baseada nos cinco princípios da nova arquitetura. De acordo com Artemis, são eles: pilares redondos formando vãos; teto ajardinado nos edifícios; fachada livre; grandes vãos envidraçados, e planta livre, sem divisões, permitindo a criação de novos lay-outs.

“Um exemplo disso é o prédio do Senac. Ele já sediou também o Sesc (Serviço Social do Comércio) e, depois que houve a separação das duas entidades, foi reformulado internamente com divisórias para abrigar apenas a escola”, destaca a professora.

Ela salienta que o espírito de modernidade começou a se fundamentar a partir da década de 30. “A tipologia dessas novas edificações revela um tratamento de fachada futurista, com linhas retas e geométricas,” ressalta Artemis.

Ela explica que muitas edificações de Bauru ficaram marcadas pelo art déco (movimento das artes decorativas surgido na França que tem por característica uma manifestação geometrizada e estilizada).

A Casa Lusitana, localizada na esquina das ruas Batista de Carvalho e Gustavo Maciel, é um dos grandes símbolos do art déco. Projetado em 1933, o edifício apresenta os traços da modernidade, com linhas retas e pouca suntuosidade.

Outro marco da cidade é a estação ferroviária, de autoria de Hugo Speche. “É um grande exemplar do espírito de mudança da cidade em busca da modernidade”, destaca Artemis.

Ela diz que Jaú também possui traços da arquitetura moderna, mas muitos prédios da cidade têm uma história que começa antes dos anos 50.

Para concluir o trabalho, os alunos da Unip se dividiram da seguinte maneira: os do 1.º ano fizeram uma leitura da arquitetura moderna de Bauru através de painéis explicativos; os do 2.º ano, estão levantando a documentação das residências históricas, e os do 3.º ano fizeram uma maquete dos edifícios estudados.

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