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Revolução de 32 é marco na história paulista no século 20

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

Na próxima semana, os paulistas se preparam para aproveitar mais um feriado, na sexta-feira. Porém, muitos desconhecem porquê esta data foi decretada feriado no Estado de São Paulo. O dia 9 de julho passou a ser feriado em comemoração à Revolução Constitucionalista de 1932, a partir de uma lei promulgada pelo então governador de São Paulo Mário Covas, em 1997. A revolução foi um movimento militar no qual o Estado de São Paulo lutou contra as tropas do presidente da época, Getúlio Vargas.

O historiador Roberto Milanda Chinalha, diretor da Divisão de Museus da Secretaria Municipal de Cultura, faz referência ao fato e enfatiza a necessidade de se conhecer a história do nosso País. “O tempo permite novas análises dos acontecimentos. Além disso, é necessário ter contato com a história para que seja possível refletir a sua atualidade e buscar ações mais justas no futuro”, completa Chinalha.

Ao falar do movimento constitucionalista, o historiador aproveita para dar um “puxão de orelha” no sistema educacional, no período da ditadura militar. “Inibiu o espírito de luta que o jovem tinha, de buscar movimentos políticos e partidários. Hoje, a participação é pouco expressiva e os jovens preocupam-se mais com videogames, festinhas e Internet.” Chinalha comenta que naquela época as pessoas participavam ativamente. “Quando foi preciso, o povo se uniu e lutou para buscar mudanças. Lutava-se por um ideal”, acrescenta.

O que foi a revolução?

Tudo começou em 1930, quando uma revolução derrubava o governo dos grandes latifundiários de Minas Gerais e São Paulo. A famosa política do café-com-leite (quando São Paulo e Minas Gerais se revezavam no poder). Getúlio Vargas assumia a Presidência do Brasil em caráter provisório, mas com amplos poderes. Chinalha explica que o abuso de poder foi grande. “Todas as instituições legislativas foram abolidas, desde o Congresso Nacional até as câmaras municipais, até os governadores dos Estados foram depostos”, acrescenta. Para suas funções, Getúlio Vargas nomeou interventores.

Os paulistas ficaram fora do governo e se revoltaram. “São Paulo sempre foi e ainda é a grande força econômica do País, então, os industriais, trabalhadores, estudantes decidiram se mobilizar. Quando explode em São Paulo uma revolta contra o presidente Getúlio Vargas.” As tropas federais foram enviadas para conter a rebelião e as forças paulistas lutaram contra o exército durante três meses. “Os liberais reivindicam a realização de eleições e o fim do governo provisório de Vargas.”

O historiador explica que a decisão de se organizar a revolta aconteceu após uma greve que mobilizou mais de 200 mil trabalhadores no Estado. Ele prefere a palavra revolta, pois, para Chinalha “a palavra revolução vem sendo utilizada em virtude do uso que os grupos envolvidos nos acontecimentos da época fizeram, e não por sua verdadeira acepção, ou seja, para indicar mudanças estruturais na sociedade, quando uma classe até então dominada ocupa o poder”.

“No dia 23 de maio daquele ano foi realizado um comício reivindicando uma nova constituição para o Brasil. O comício terminou em conflitos armados. Por causa do uso da violência e da autoridade, comuns a Vargas, quatro estudantes morreram: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo. As iniciais de seus nomes formaram a sigla MMDC, que se transformou no símbolo da ‘revolução’”, acrescenta Chinalha.

O dia 9 de julho marca o iníco da revolta. Quando as tropas rebeldes se espalharam pela cidade de São Paulo e ocuparam as ruas. De acordo com informações do historiador, a imprensa paulista defendenu a causa dos revoltosos, principalmente no rádio. “O entusiasmo de César Ladeira faz dele o locutor oficial da Revolução Constitu-cionalista, o que também contribuiu para uma intensa campanha de mobilização. Surgiram textos, artigos e, principalmente, anúncios e cartazes sobre apoiando a Revolução Constitucionalista.”

O episódio ficou conhecido como a Revolução Constitucionalista de 1932 e os pesquisadores apontam o fato como sendo o movimento armado mais importante no País no século 20, além de um acontecimento de grande importância para a história de São Paulo.

Chinalha explica que quando começou a revolta, uma multidão saiu às ruas em seu apoio. “Tropas paulistas foram enviadas para as frentes de batalha em todo o Estado, mas as tropas do governo federal eram mais numerosas e bem equipadas. Até aviões foram usados para bombardear cidades do Interior paulista. A mobilização fez com que 35 mil homens de São Paulo enfrentassem um contingente de 100 mil soldados”, recorda Chinalha, baseado em dados oficiais.

“Os revoltosos esperavam o apoio de outros Estados, o que não aconteceu. Somente o Sul do Mato Grosso, mas foi derrotado pelos contigentes de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, onde Vargas era bastante influente.”

Em outubro de 1932, após três meses de luta, os paulistas se renderam. Ocorreram prisões, cassações e deportações. As estatísticas oficiais apontam 830 mortos, mas de acordo com Chinalha estima-se que outras centenas de pessoas morreram sem constar dos registros oficiais. Apesar da derrota paulista em sua luta por uma constituição, dois anos depois da Revolução, em 1934, uma assembléia eleita pelo povo promulgou a nova Constituição.

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Curiosidades de Bauru

O primeiro voluntário a inscrever-se em Bauru para o levante foi Antônio Gonçalves Fraga, que era prefeito na época. Os outros foram Paulino Raphael e João Correia Neves, que tomaram as providências com relação à guarda da cidade, como o alistamento de voluntários.

Terminada a Revolução Constitucionalista de 1932, foi iniciada uma grande campanha visando angariar fundos necessários à edificação de um monumento que registrasse, para sempre, aquele movimento. No dia 9 de julho de 1936 que foi entregue o monumento em homenagem aos ex-combatentes, atualmente localizado ao lado do Cemitério da Saudade.

Quando Getúlio Vargas veio a Bauru, em 5 de novembro de 1947, na época candidato ao Senado, houve uma manifestação de repúdio por parte dos estudantes, quando lá colocaram fitas pretas, flores e velas em sinal de luto.

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