Uma resolução publicada no Diário Oficial da União altera as regras de funcionamento dos cerca de 620 serviços de hemodiálise que funcionam em todo o País. As principais exigências da nova regulamentação já são cumpridas pelo Hospital de Base (HB) de Bauru, responsável pelo atendimento dos pacientes renais crônicos da região.
A legislação que entrou em vigor prevê que as unidades de diálise deverão atender um número máximo de 200 pacientes em três turnos de funcionamento. Segundo a nefrologista Tereza Faifer, uma das responsáveis pela unidade do HB, a quantidade de pessoas que fazem tratamento em Bauru gira em torno de 170.
Outra alteração determinada pela resolução diz respeito a necessidade dos serviços de diálise contarem com psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, o que, de acordo com Faifer, também já ocorre no HB.
As demais modificações estão relacionadas a procedimentos burocráticos e administrativos. As unidades que desrespeitarem as novas exigências podem ser notificadas, autuadas ou multadas pelo governo federal.
No ano passado, a unidade do HB enfrentou problemas com a água utilizada nas máquinas de diálise e decidiu substituir a tubulação depois que alguns pacientes reclamaram de calafrios, tremores e febre durante as sessões de tratamento.
O atendimento chegou a ser interrompido por 41 dias entre outubro e novembro de 2003. Os pacientes tiveram, então, que se deslocar até cidades da região, como Marília, Lins, Botucatu e São Carlos, para continuar as diálises.
Cinco doentes renais crônicos, porém, morreram pouco depois da interdição da unidade. O inquérito policial apontou que, em pelo menos dois casos, a contaminação da água por endotoxinas bacterianas pode ter contribuído para as mortes, com a ressalva de que os pacientes eram idosos e portadores de outras doenças associadas. A questão também está sendo analisada pelo Ministério Público (MP).