Bairros

Áreas públicas acumulam lixo apesar de mutirão de limpeza

Michelle Roxo (com Diego Molina)
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto a prefeitura, por meio de um decreto municipal, declarou estado de emergência e radicalizou as ações para atuar em terrenos particulares no combate ao mosquito transmissor da leishmaniose visceral, áreas públicas da cidade continuam acumulando lixo. Entre os pontos visitados pelo JC, ontem, que apresentavam o problema, está o bosque do Parque União, trechos da margem da avenida que liga o Mary Dota à Quinta da Bela Olinda e a calçada de uma rua na Vila Nova Esperança.

O titular da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), Arlindo Marques Figueiredo, afirma que a prefeitura tem realizado a limpeza das áreas públicas, entretanto o problema estaria persistindo devido à falta de colaboração da população que, segundo ele, continuaria depositando lixo em pontos irregulares. “Nós limpamos num dia e noutro dia o problema aparece outra vez no mesmo lugar. É falta de conscientização”, avalia.

A mesma opinião não é compartilhada pela moradora da Vila Nova Esperança, Paula Silvia Coelho, 36 anos. Próximo à sua casa, na quadra 2 da rua Cabo Severino da Costa, o lixo em um terreno aberto invadiu a calçada. Entretanto, segundo ela, apesar das inúmeras reclamações, nenhuma providência teria sido tomada pela administração municipal.

“A prefeitura não toma medida nenhuma, eles não limpam, não se incomodam e a população continua jogando lixo. O local já virou cemitério de animal morto”, denuncia.

Paula afirma que teme um surto de leishmaniose no local, já que o acúmulo de lixo é um dos principais fatores responsáveis pela doença. A leishmaniose é transmitida a cães e humanos através da picada do mosquito palha, que se procria em material orgânico em decomposição.

“Aqui temos todas as condições para a doença se manifestar. Eu creio que a população daqui terá muitos problemas”, diz Paula.

Segundo Figueiredo, em todas as ocasiões que recebe reclamações dos moradores sobre o acúmulo irregular de lixo, a prefeitura tenta resolver o problema. “Mas o povo tem que colaborar conosco porque nós não podemos ter um vigia permanente em cada canto de Bauru”, conclui.

Bosque

Os moradores do Parque União a cada dia deparam-se com mais lixo e entulho despejado em um bosque localizado no bairro, ao lado da rua Coronel Alves Seabra.

A área verde tem a maior parte de sua extensão protegida por um alambrado, mas a cerca está rompida em diversos pontos, facilitando o acesso até mesmo de caminhões para descarregar o lixo. De acordo com a dona de casa Conceição de Fátima Dal Bello, que mora a uma quadra do bosque, é comum ver caminhões ou mesmo moradores das adjacências despejando sacos de lixo, galhos e até mesmo entulho de construção no local.

Dentro do bosque, está a nascente de um afluente do córrego Água do Castelo. No início do ano, a Associação de Moradores do Parque União e Bairros Adjacentes organizou, em parceria com o Corpo de Bombeiros, a limpeza do local com a participação dos calouros do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Mas mesmo com esse tipo de ação, o bosque continua cheio de lixo porque as pessoas continuam jogando ali. Tem tanto lixo que uma passagem que havia (entre as ruas Coronel Alves Seabra e Luiz Vendramine) está fechada pelo entulho”, comenta Conceição.

Alertada sobre o caso, a assessoria de imprensa da prefeitura se comprometeu a informar a Sear e a Secretaria de Saúde para que seja providenciada a limpeza da área ou a inclusão do local no programa do mutirão de limpeza de terrenos para o combate à leishmaniose.

Além do bosque do Parque União, também é possível encontrar nas laterais da avenida que liga o Mary Dota e a Quinta da Bela Olinda vários pontos de acúmulo de lixo orgânico em decomposição. O mesmo cenário pode ser notado às margens da rodovia Bauru-Marília, na altura do Núcleo Fortunato Rocha Lima e sob o viaduto da avenida Rodrigues Alves, na rodovia Marechal Rondon - trecho administrado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

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Emergência

No último sábado, a prefeitura decretou estado de emergência no perímetro urbano da cidade visando o combate à leishmaniose visceral. O decreto tem como principal objetivo dar liberdade às equipes dos mutirões de limpeza para atuar em terrenos e áreas particulares onde os lixos estão sendo depositados de forma inadequada. Ontem à tarde, a reportagem não conseguiu levantar junto à prefeitura o número de terrenos que já foram vistoriados.

No decreto, a prefeitura assume a necessidade emergencial de se tomar medidas de saneamento para tentar interromper o ciclo de transmissão da doença. Os mutirões de limpeza e combate à doença iniciaram o trabalho na semana passada.

Neste ano, dez casos de leishmaniose visceral humana já foram confirmados em Bauru pela Secretaria Municipal de Saúde. Desde o ano passado, 25 pessoas já apresentaram a doença na cidade. Duas pessoas morreram.

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