Já conformado com o fato de que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) não será sequer projetada em seu governo, o prefeito Nilson Costa (PTB) decidiu voltar suas atenções para a rede de interceptores que está sendo construída nos córregos de Bauru. Até o final do ano, quando termina seu mandato, ele espera concluir mais cinco quilômetros de tubulações, totalizando 26 dos 54 quilômetros que a cidade necessita.
Nilson realizou, ontem à tarde, ao lado de secretários de governo e diretores do Departamento de Água e Esgoto (DAE), um ‘city tour’ por cinco obras que estão em andamento no município, duas das quais dizem respeito à implantação de interceptores.
O passeio ocorreu quatro dias após a Caixa Econômica Federal (CEF) tornar pública a negativa em conceder o empréstimo de até R$ 65 milhões solicitado pela prefeitura, que pretendia utilizar o dinheiro para construir a ETE. Como o município não conseguiu cumprir requisitos básicos exigidos pelo banco, o pedido não foi sequer analisado.
A primeira parada da comitiva foi no canteiro de obras instalado ao lado do Terminal Rodoviário, onde está sendo concretado um canal que integrará a rede de interceptores responsável por levar o esgoto que é despejado atualmente no local até as proximidades do cruzamento da avenida Nuno de Assis com a rodovia Marechal Rondon. A obra deve ser concluída em setembro.
Depois, o grupo seguiu para a região do Jardim Guadalajara, onde também estão sendo instaladas tubulações que evitarão o despejo de dejetos no córrego que passa ao lado do bairro.
A comitiva percorreu, ainda, dois poços artesianos e as obras de duplicação da avenida Luiz Edmundo Coube.
Importância
Após a visita, que durou cerca de três horas, o prefeito procurou valorizar a importância dos interceptores. “Tratar o esgoto é um processo que demora vários anos, realizado através de ações que vão sendo feitas de acordo com a disponibilidade financeira”, justificou.
Nilson lembrou que o DAE deve iniciar, em breve, a construção de mais 4,3 quilômetros de tubulações, na margem esquerda do rio Bauru, no trecho compreendido entre a região do Fórum e a avenida Comendador José da Silva Martha.
Segundo a presidente da autarquia, Nilcéia Paes Lourenço, a verba de R$ 1,3 milhão que será utilizada para a instalação dessa tubulação se refere às sobras de um empréstimo contratado pelo município junto à CEF em 1991.
Recentemente, o DAE também assinou o contrato de posse da área onde será instalada a ETE, na região do Distrito Industrial 1. O terreno, de cerca de 245 mil metros quadrados, pertencia à Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) e foi transferido para a autarquia em troca do perdão de uma dívida de R$ 250 mil.
Resta saber se a construção de parte dos interceptores e a definição da área que receberá a ETE serão suficientes para convencer a Justiça a não executar a multa diária de R$ 12 mil prevista no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado há quatro anos pelo município junto ao Ministério Público (MP). O documento dava prazo até junho para que o esgoto deixasse de ser jogado in natura no rio Bauru.
“Esperamos que haja a compreensão do Poder Judiciário, de tal maneira que o município não seja penalizado com multas, porque o que não foi feito não foi por falta de vontade política, e sim de dinheiro”, comentou o prefeito.
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Poços
O prefeito Nilson Costa (PTB) também teve a oportunidade de conhecer, ontem à tarde, as obras de perfuração de dois poços artesianos, localizados no Jardim Tangarás e no Núcleo Bauru 16.
Um dos poços, o do Jardim Tangarás, começou a ser construído no último mês e deve ficar pronto em agosto, com capacidade para fornecer 300 mil litros de água a cada hora.
Já o poço do Bauru 16 foi perfurado há mais de dez anos pelo governo estadual, mas nunca entrou em operação. Agora, a prefeitura conseguiu uma autorização para recuperar a instalação, capaz de gerar cerca de 120 mil litros de água por hora.
Na avenida Luiz Edmundo Coube, Nilson verificou as obras de duplicação que estão sendo feitas no local. A pista atual da via foi interditada ao trânsito anteontem para que o asfalto seja substituído.