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Gente amante da liberdade


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Ouvem falar as atuais gerações da Revolução Constitucionalista de 1932 e até a comemoram, como vão fazê-lo amanhã, 9 de julho. Mas a inexorabilidade do tempo, que escurece facilmente as lembranças de ontem, faz com que já não esteja aquele movimento cívico bem preso, ainda hoje, na memória dos contemporâneos. E aí está ele com seus objetivos quase que totalmente desconhecidos dos que dele não participaram e nem testemunharam. Então, no momento, como este, em que o espírito da democracia sofre arranhões, oportuno se torna fazerem-se luzes em seu torno. Vivia o País em regime ditatorial e, como tal, penalizando com exílios no Exterior e prisões em penitenciárias e campos de concentração internos os políticos e demais figuras ostensivas a ele e seus implantadores. Não poucos foram punidos com a perda da vida. Outros o foram com o confisco de seus bens ou perda de seus títulos honoríficos ou profissionais. Era imprescindível, por isso, que a população tentasse, por alguma forma, recuperar a liberdade individual e social e os direitos políticos, assim como restituir à nação a fisionomia democrática que anteriormente ostentava. São Paulo tomou a dianteira da repulsa, fazendo a Revolução com o apoio de outros Estados, entre eles Minas Gerais e Mato Grosso. Milhares de filhos seus se colocaram nos campos de batalha, expondo suas vidas pelo ideal, misto de humanismo e patriotismo, buscando o Rio de Janeiro onde o governo implantava suas idéias. Perdeu momentaneamente a cruzada, mas logo surgiria em sua vida a sonhada reconstituição, que tornou heróis tantos desconhecidos, como os que hoje descreve o poeta Oliveira Ribeiro Neto, recitando:

- Havias de voltar, meu filho! E não voltaste!

Pelo bem do País que tanto amaste,

o teu corpo caiu, morreu teu passo.

Da tua mocidade generosa,

restou somente a farda gloriosa,

tinta de sangue, e o capacete de aço!

Tua mãe chora sempre a tua falta

- Árvore frágil para ser tão alta,

a inclemência de um raio te cortou

as promessas risonhas da fartura,

os desejos de glória e de ventura,

o civismo sem par que te abrasou.

- Repousas em paz, no coração materno

da terra de São Paulo, grande e eterno

no seu amor à gente idealista.

O nome teu - que importa? Um nome passa!

Tu és - soldado - o apóstolo da raça, o herói,

o santo, o símbolo - o Paulista!

Aí as nossas homenagens à gente bandeirante: dinâmica, corajosa, altaneira, patriota e amante da liberdade! É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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