Economia & Negócios

Prefeitura atrasa o Banco do Povo

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar do anúncio feito no mês passado pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino, de que o Banco do Povo em Bauru começaria a operar até o final de junho, os pequenos empresários da cidade continuam sem poder contar com os financiamentos de R$ 200,00 a R$ 5 mil que a instituição pode conceder. Mesmo se for considerado o prazo máximo divulgado, o atraso já é de uma semana.

No dia 5 de junho, a prefeitura preparou uma grande e festiva cerimônia oficial de inauguração do banco que contou, até mesmo, com a presença do diretor executivo do Banco do Povo, Guaracy Fontes Monteiro Filho. Os três servidores públicos que atenderão os interessados já foram treinados e a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) já doou todo o mobiliário. Mas os computadores que permitirão o início dos trabalhos ainda não chegaram.

Informações obtidas pela reportagem são de que, do dia 22 de junho até ontem, cerca de 150 pessoas passaram pelo local buscando informações sobre o funcionamento do banco. Isso comprova a demanda reprimida existente na cidade e a falta que uma instituição como essa faz a um município do porte de Bauru, considerado “capital regional”. Em casos como esse, a falta de agilidade pode significar empecilho para o desenvolvimento local.

O Banco do Povo é um programa do governo estadual e já funciona em mais de 300 municípios paulistas. Na regional da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert), as cidades de Lins, Jaú, Piratininga, Pederneiras, Dois Córregos, Barra Bonita, Macatuba, Bariri, Mineiros do Tietê, Promissão, Cafelândia, Lençóis Paulista, Pirajuí e Bocaina, além de Alvinlândia, Ubirajara e Lupércio (outra regional) já contam com o banco. Em breve, uma unidade deve ser instalada em Reginópolis.

Pelas regras do programa estadual, as prefeituras são responsáveis por 10% dos valores a serem financiados a pessoas jurídicas pelo Banco do Povo e pela cessão dos funcionários. Em maio, na presença do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), o governador Geraldo Alckmin autorizou a implantação em Bauru. Segundo Tobias, o programa já criou mais de 85 mil empregos em todo o Estado desde que foi lançado, em 1998.

No mês passado, Domingos Malandrino anunciou a liberação da verba inicial de R$ 1 milhão para a liberação dos financiamentos na cidade. Há dois dias, a reportagem tenta entrar em contato com o secretário, que até o fechamento desta edição não havia retornado aos recados deixados na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e em sua empresa. O diretor da Sert em Bauru, Alexandre Ciro Perin Bertoni, lamenta a demora no início do funcionamento do banco.

“Os servidores já foram treinados e o supervisor do Banco do Povo na região já passou por aqui. A parte da Sert nesse processo está totalmente em dia, mas não há como iniciar os trabalhos sem os equipamentos que devem ser fornecidos pela prefeitura. É uma pena, porque as pessoas ficaram ainda mais ansiosas após a inauguração oficial”, observa.

Longa história

Desde que assumiu a diretoria da Sert em Bauru, em 2000, Bertoni tenta viabilizar a implantação do Banco do Povo. Em 2001, ele colocou uma sala do prédio da secretaria à disposição da prefeitura para a instalação da unidade. No mês passado, após o anúncio da liberação da verba inicial, o local escolhido foi o prédio do Centro de Estudos e Pesquisas para Encaminhamento ao Trabalho (Cepet) - ligado à Sebes -, localizado na quadra 11 da rua Gustavo Maciel.

A titular da Sebes, Rosa Maria Otuka Barbosa Pereira, diz que os servidores treinados pelo Programa de Formação de Agentes de Crédito (Profac) estão atendendo os interessados. Mas sem os computadores, o crédito não pode ser aprovado e os financiamentos não são liberados.

“As pessoas que vão até lá estão recebendo informações sobre o funcionamento do Banco do Povo e sobre quais os documentos necessários para pleitear o financiamento. Ou seja, já está sendo feita uma triagem. Neste momento é difícil falar em prazos, mas acredito que dentro de 15 dias o problema da falta de equipamentos possa estar resolvido, mesmo que eu precise tirar pelo menos um computador da Sebes para levar até lá.”

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Pró-Lar

Outra modalidade de financiamento oferecida pelo Banco do Povo é o programa Pró-Lar, que concede empréstimos de R$ 200,00 a R$ 5 mil para famílias de baixa renda interessadas em reformar ou ampliar seus imóveis. Em Bauru, porém, essa linha de crédito não estará disponível em um primeiro momento.

O valor financiado pelo programa pode ser pago em até 48 vezes e não há correção das parcelas caso elas sejam pagas antecipadamente até o dia do vencimento. Do contrário, a taxa de juros é de 0,5%.

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