O mundo submarino é povoado por corais de rara beleza, como os corais-de-fogo, os pétreos ou verdadeiros, corais-negros, octocorais, chapeirões e corais-cérebro (endêmicos), num total de 19 espécies catalogadas por biólogos e pesquisadores, compondo um ambiente propício à inúmeras outras espécies da fauna marinha.
Nas ilhas, tartarugas desovam e pássaros nidificam. Os atobás recém-nascidos parecem bichinhos de pelúcia. Há também fragatas, pilotos, beneditos, tesourões, maçaricos e grazinas, que em diferentes épocas do ano buscam as ilhas para fazer seus ninhos.
A dança das baleias-jubarte vai de julho a novembro. Ocorre todos os anos nesta época em que elas percorrem cinco mil quilômetros, a partir do Atlântico Sul, em busca das águas mornas e cristalinas da Bahia.
Elas correm do frio da Antártida e seguem até Abrolhos para a reprodução e cria. Dóceis, as baleias jubarte, também conhecidas como baleias-cantoras ou baleias-acrobatas, se aproximam das embarcações e fazem acrobacias chamadas de dança do acasalamento, para delírio dos turistas que as registram em fotos e filmes.
Assim como ocorre no litoral de Salvador, em Abrolhos os mergulhadores também encontram vestígios de naufrágios. Um exemplo é o navio Rosalina, que afundou há quase 65 anos, em 1939.
Seus destroços estão em uma área que varia entre um e 15 metros de profundidade, portanto, em águas oceânicas rasas e cristalinas e com uma temperatura que varia entre 24 e 28 graus, condições excelentes e raramente encontradas juntas.
Para os iniciantes ou quem não quer chegar até o navio, a dica é mergulhar nas águas rasas sobre o topo dos chapeirões e descobrir fantásticas cavernas que se formam entre eles.
Sensação que lembra a de se estar em um aquário gigante de água salgada junto com espécies raras da fauna e da flora.
O Parque Nacional Marinho de Abrolhos tem 91.300 hectares. Uma área que engloba quatro das ilhas do arquipélago. Santa Bárbara, a maior delas, é de uso da Marinha. É nela que fica o antigo farol do mesmo nome e vivem as famílias dos oficiais e marinheiros.
Nas outras ilhas, a grande maioria dos habitantes fica por conta das aves marinhas.
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Embarcações precárias
A tecnologia de navegação no século 16 era precária, contam o historiador baiano Cid Teixeira e o jornalista Raimundo Mazzei.
Os navios eram pequenos, de madeira, à vela, e as famosas calmarias eram verdadeiras.
Uma viagem de Portugal a Salvador durava meses. Sem conhecer direito a costa litorânea brasileira e o trecho baiano com topografia mais acidentada, muitas embarcações acabavam batendo em bancos de areia ou rochas, afundando na costa.
Quem não ouviu falar nos bancos escolares de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, que se tornou líder entre os indígenas e os primeiros habitantes da capitania?
Hoje, se estivesse vivo, Caramuru estaria feliz com a nova leva de turistas que chegam a Bahia, desta vez à procura de seus tesouros submarinos.
• Serviço
Chega-se a Abrolhos através de Caravelas, por terra, pela Rio-Bahia (BR 101), ou de São Paulo, por via área. A TAM tem vôos para Salvador, Ilhéus e Porto Seguro.
De Caravelas, 886 quilômetros ao Sul de Salvador, até o arquipélago, a viagem dura em torno de cinco horas em escunas ou traineiras autorizadas.
Os barcos ficam ancorados entre as ilhas Redonda e Siriba e os turistas dormem no próprio barco.