Quem nunca se deparou com um vazamento de água ao transitar pelas ruas de Bauru? Em média, surgem na zona urbana do município, na rede pública de abastecimento de água, cerca de 30 vazamentos por dia. São quase 1.000 por mês. Isso sem contabilizar os problemas na tubulação de esgoto.
A informação é do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, responsável pelos 1.513 quilômetros de extensão da rede pública de abastecimento de água - distância equivalente a cerca de duas viagens Bauru-São Paulo, ida e volta.
Os vazamentos incomodam, atrapalham a rotina da população e representam até problema de segurança na medida em que muitos deles provocam buracos no asfalto.
Em alguns bairros, o problema é mais freqüente que em outros. Mas em determinados locais, ele é crônico. Prova disso são os remendos no asfalto deixados pelas equipes de manutenção da autarquia cada vez que um dos vazamentos é sanado.
“Volta e meia estão mexendo com esse vazamento e estouram o asfalto novo. Esse trecho já está todo remendado”, reclama o engenheiro agrônomo Edivaldo Alves Pereira, morador da rua Albino Tâmbara, na Vila Universitária.
O vice-presidente do Conselho Comunitário Centro-Sul, Primo Mangialardo, afirma que é grande o número de pessoas que reclama de buracos na rua provocados por vazamentos. Em alguns casos, o asfalto chega a afundar e danificar o veículo, que fica preso no buraco. “Nas nossas reuniões, o pessoal reclama constantemente”, diz.
Nos locais em que os vazamentos são freqüentes, basta abrir um buraco de cerca de dois metros de profundidade no solo para entender o motivo de tanta dor de cabeça: a tubulação é velha.
Nos bairros mais antigos, as redes de água foram feitas com ferro galvanizado. Hoje, utiliza-se o PVC. Na época, o material funcionava bem, mas algumas décadas depois ele apresenta sérios sinais de desgaste, além da oxidação que entope os tubos e provoca os famosos vazamentos.
Considerando que Bauru tem 110 mil ligações de água, o diretor da Divisão Técnica do DAE, Juranir Salas Berbel, avalia que 30 vazamentos diários é um índice alto. “Eu, particularmente, acho a quantidade um pouco grande. Acho que deveria ser menor. Era para ter menos. Mas, infelizmente, é o que acontece”, expõe.
Outro agravante é que o DAE não sabe informar qual é a idade da rede mais antiga e não tem um mapeamento que mostre onde a rede é de PVC e onde é de ferro. As equipes descobrem essa informação somente quando o problema aparece e um buraco é aberto no solo.
O engenheiro Berbel diz que o ideal seria trocar as redes mais antigas, mas faz ressalvas. “Na minha cabeça, não cabe abrir a avenida Rodrigues Alves, a Batista de Carvalho, a rua 1.º de Agosto e as transversais para fazer redes novas”, argumenta.
Já o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) acredita que a melhor solução a longo prazo seria a troca do material velho. “O problema da perda é que a água que foi jogada fora está sendo paga por toda a população. O custo dela está inserido no orçamento da autarquia. A população paga o consumo e também toda a água que foi desperdiçada”, destaca.
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Danos
Nem sempre o primeiro sintoma de um vazamento é um jato de água jorrando na superfície da calçada ou asfalto. Há muitos casos em que ela não aparece e se infiltra no solo, principalmente se houver galeria de águas pluviais ou rede de esgoto nas proximidades.
“Se ela encontrar um lugar para penetrar, ela não vai sair na superfície. É mais fácil penetrar do que sair na superfície. Quando ela penetra, carrega um pouco de solo. Cria um vazio naquela localização”, diz o engenheiro Juranir Salas Berbel, diretor da Divisão Técnica do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru.
Em alguns casos, o sintoma só aparece quando um carro passa pelo local e cai num buraco que existia sob asfalto. É que o pavimento amoleceu e cedeu com o peso do veículo.
“Você já deve ter visto casos de veículos que passaram e, de repente, caíram em determinados locais em que o asfalto estava bonitinho, aparentemente. É um vazamento que não foi detectado”, explica Berbel.
O engenheiro Wladimir Coelho, especialista em pavimentação asfáltica, alerta para a incompatibilidade entre água e asfalto. “Um vazamento de água pode provocar mil e uma conseqüências no asfalto. Água debaixo do pavimento é um tormento. Ela faz tudo quanto é estrago que você pode imaginar”, diz.
Outra conseqüência grave são possíveis danos a imóveis particulares. “É possível, mas não é comum”, enfatiza Berbel.