De acordo como o engenheiro Juranir Salas Berbel, diretor de Divisão Técnica do Departamento de Água e Esgoto (DAE), a maior parte dos problemas de vazamento de água ocorrem nos bairros em que a rede é antiga.
Antigamente, era utilizado ferro galvanizado na construção das redes de abastecimento água. Atualmente, o material foi substituído por PVC.
Como a autarquia não dispõe de um mapeamento que indica os locais em que a rede é de PVC e aqueles em que ainda é de ferro, não se sabe exatamente onde a rede é antiga.
Somente quando ocorre o vazamento e uma equipe de funcionários abre um buraco no asfalto e no solo é que se constata qual foi o material utilizado no local.
“Geralmente, os problemas estão nas redes antigas. Mas é difícil dizer qual é a localização. É na parte mais antiga da cidade. É aí que surgem os problemas maiores de vazamento, em função da vida útil da rede”, expõe Berbel.
Entretanto, o engenheiro cita alguns locais em que possivelmente grande parte da rede ainda é de ferro. São eles Centro, Vila Seabra, Jardim Bela Vista, Vila Falcão e Parque Vista Alegre, entre outros.
“No Centro da cidade, a rede é antiga. Com raríssimas exceções. A região da Vila Falcão é uma das regiões com mais problemas de vazamentos de água. É uma região bem antiga, em que as ligações dos prédios são de ferro galvanizado”, frisa o diretor de divisão do DAE.
O problema da tubulação de ferro galvanizado é que ao longo do tempo ela apodrece, facilitando os vazamentos. Além disso, formam-se crostras internas na tubulação, que resultam da oxidação. Elas chegam a entupir o tubo. “Nas redes que mais dão problema, o tubo nem é galvanizado. É de ferro fundido mesmo. Ele apresenta essa característica de oxidação interna que reduz a vazão”, destaca o engenheiro.
O PVC, utilizado atualmente, por enquanto não tem apresentado problemas semelhantes. O DAE não tem informações sobre quando o material começou a ser empregado na rede de água de Bauru. Berbel calcula que foi há cerca de 25 ou 30 anos.
“Apesar de que também existe problema com o PVC. Ou por defeito de fabricação, por afundamento - alguma pressão além do normal - e até por fadiga do material. É quando ele está sujeito a algum esforço e acaba se rompendo após algum tempo”, explica Berbel.
Na opinião dele, o ferro galvanizado não apresenta vantagens, se comparado ao PVC. “Por isso não se usa mais. Na época, não apresentava problema. Mas está apresentando hoje, depois de velho. Porque é ferro e ele enferruja. Oxida. É próprio do material e chega a entupir”, reforça o representante do DAE.
O resultado de todos esses contratempos são, em média, 30 vazamentos diários na área urbana de Bauru. O índice é considerado alto pelo engenheiro. “Acho que deveria ser menor”, diz.
“Não sei se tem algum problema de qualidade do material. O que estamos usando hoje eu considero que é um material bom. Se em todo o tempo foi usado um material bom, eu tenho a impressão de que não era para ter esse tipo de problema. Era para ter menos. Mas, infelizmente, é o que acontece”, acrescenta.
Substituições
Quando há vazamento e o DAE é acionado (através do 0800-7710195) ou identifica o problema, uma equipe vai ao local e faz o reparo. Há um critério de prioridade. Quanto mais grave o problema, mais rapidamente ele é atendido.
“O DAE não tem uma pessoa em cada quarteirão da cidade para saber onde está vazando água. Geralmente, esse trabalho é feito em função de alguém que liga e informa”, explica Berbel.
Em avenidas de tráfego intenso, as equipes eventualmente aguardam o período noturno ou o final de semana para trabalhar no local, em virtude da necessidade de interditar o trânsito.
“Não tem regra. O problema surge de repente. A conseqüência é perda de água e eventual mal estar”, frisa o engenheiro.
Os serviços de reparos são caros. É necessário mão-de-obra e equipamentos para cortar o asfalto, abrir um buraco de cerca de dois metros de profundidade, trocar a peça comprometida, fechar o buraco e colocar novo asfalto. “Tudo é caro”, diz o diretor.
“Às vezes, o reparo é feito em determinado trecho. No trecho seguinte, não está vazando. Mas ele pode não estar muito bem e começa a vazar ao lado do reparo recente na semana seguinte. É complicado”, diz.
Entretanto, o engenheiro nega que vazamentos se repitam exatamente no mesmo local. “No mesmo ponto não tem ocorrido. Quando vaza, você substitui aquele trecho ou aquela peça e coloca uma peça nova. Está novo”, salienta.
Considerando que boa parte da rede de água de Bauru é antiga, e que ao longo dos anos ela ficará mais antiga e deve apresentar gradativamente mais problemas, o JC nos Bairros questionou o diretor de Divisão Técnica do DAE sobre a possibilidade de trocar a rede antiga.
“O ideal seria trocar todas as redes mais antigas. Mas, na minha cabeça, não cabe abrir a avenida Rodrigues Alves, a rua Batista de Carvalho, a rua 1.º de Agosto e as transversais para fazer redes novas”, argumenta.
De acordo com a assessoria de imprensa do DAE, a autarquia está testando um produto que “desentupiria” as crostras de ferrugem que obstruem os tubos de ferro antigos. O material, chamado ortopolifosfato, seria colocado na água e não ofereceria riscos à saúde. Ele já estaria sendo utilizado por empresas de saneamento.
“Há 40 anos, o ferro galvanizado era um ótimo material. E é. Só que não existem serviços que permanecem para sempre. Uns perdem a vida útil antes, outros um pouco depois”, diz Berbel.
“Ao longo do tempo, o automóvel quebra, a rede elétrica quebra, a rede de telefone quebra e a rede de água também quebra”, justifica.
____________________
Terra
Em ruas de terra, podem ocorrer mais problemas de vazamento já que ela não conta com a base estabilizada da pavimentação. A informação é do engenheiro Juranir Salas Berbel, diretor de Divisão Técnica do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
“É a pavimentação que suporta a carga maior. Então é mais fácil ocorrer o vazamento em rua de terra. Mas não dá para jurar que tem mais vazamentos em ruas de terra do que em ruas de asfalto. É muito complicado”, diz.
Outro problema, de acordo com o engenheiro, são antigas erosões que foram aterradas com entulho. Elas são mais vulneráveis ao aparecimento de vazamentos por que são instáveis.