Na opinião do vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB), um dos grandes problemas do grande número de vazamentos de água espalhados pela cidade é o preço que se paga pelo desperdício.
“O problema da perda é que a água foi jogada fora e está sendo paga por toda a população. O custo dela está inserido no orçamento da autarquia. A população paga o consumo e também toda a água que foi desperdiçada. E poderia pagar menos se não houvesse desperdício”, destaca Agostinho.
O ambientalista enfatiza que a rede de água de Bauru é muito antiga. Além disso, afirma que a distribuição de água é irregular e que por isso ocorre excesso de pressão em alguns pontos. “É aí que ocorrem com mais facilidade os vazamentos”, diz.
Por esse motivo, Agostinho enfatiza que é importante medir a pressão da rede com freqüência. “As medições poderiam ser feitas de maneira mais regular, com mais equipes atuando no combate ao desperdício”, sugere.
Agostinho avalia que é alto o índice de perda de 30% da água produzida (tratada) pelo sistema em Bauru. Ele avalia que grande parte desses 30% devem-se a vazamentos, mas há também problema de roubo de água - ligações clandestinas - e de vazamentos na ETA.
“O DAE faz a medição da quantidade de água que foi tratada e mandada para a rede. Depois, medem pelos hidrômetros quanto foi consumido. Essa diferença é o que se perdeu. Índice de perda ocorre no mundo inteiro. Só que, enquanto no Japão o índice de perda é de cerca de 6%, em Bauru é de 30%”, frisa.
“O DAE tem dificuldade em identificar toda água retirada do sistema clandestinamente. Eu acredito que a maior parte das perdas devem-se a vazamentos, mas não temos dados técnicos para fazer essa afirmação”, explica o vereador.
Ele avalia que, a longo prazo, compensaria substituir a rede de água antiga por nova tubulação. “A despesa para tratar a água que foi desperdiçada acaba sendo rateada entre toda a população. É um gasto que todo mundo acaba pagando e talvez a médio e longo prazos seria mais barato refazer a rede do que fazer manutenção numa rede que está saturada”, argumenta.
Bauru tem aproximadamente 1.500 quilômetros de rede de água e, na opinião do vereador, é difícil para o DAE, com poucas equipes, fiscalizar toda sua extensão. “Em Bauru existem vazamentos até na ETA. Com tecnologia antiga, ela está com sérios problemas”, lembra.
Falando em contas altas a pagar, Agostinho cita que em Bauru as pessoas que consomem até cinco metros cúbicos de água mensais não pagam a conta. Ele afirma que seria necessário implantar uma tarifa social.
“De 110 mil ligações de água, cerca de 30 mil não pagam. E a maior parte dos que têm isenção têm dinheiro para pagar. São residências utilizadas para comércio e que não têm consumo grande porque não há famílias nem quintais, principalmente no Centro”, expõe.