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CRM quer inibir comercial de bebida

Hérica Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O Conselho Regional de Medicina (CRM), em parceria com outras entidades da categoria, como o Conselho Federal de Medicina, iniciou ontem em Bauru a campanha de arrecadação de assinaturas que faz parte do projeto nacional contra a veiculação de comerciais de bebidas alcoólicas nos horários em que há maior concentração de jovens assistindo os programas televisivos. As assinaturas serão posteriormente enviadas a Brasília.

Segundo o conselheiro do CRM e coordenador do programa em Bauru, médico urologista Carlos Alberto Monte Gobbo, a campanha não pretende proibir a veiculação de propaganda, mas sim, obter controle mais rígido dos horários de veiculação das campanhas publicitárias nos veículos de comunicação, além de alertar com mais contundência sobre os malefícios do álcool. “Defendemos a restrição da propaganda de cervejas e outras bebidas alcoólicas nos meios de comunicação e em eventos esportivos, culturais e sociais. A bebida alcoólica tem que ser tratada de forma responsável e não da forma comercial e sem nenhum compromisso ético, como está sendo tratada”, conta.

Ele explica que o uso da bebida alcoólica é muito perigosa para os jovens e que uma prova dessa difícil associação são os números de acidentes e mortes no País.

“Está registrado que o ganho das empresas de bebidas alcoólicas aumenta 10% todo ano, isso significa que cada vez mais, jovens entre 14 e 15 anos estão se embriagando. São pessoas que ainda não têm personalidade formada e podem ser induzidos para a dependência física”, constata.

O alcoolismo é responsável por 10% das patologias que levam as pessoas à morte e 70% das mortes causadas por violência, como tiros, facadas e acidentes automobilísticos, segundo Gobbo. Ele explica também que o álcool é um fator desagregador familiar muito intenso e está associado diretamente às agressões domésticas. “A sociedade não pode esquecer desse lado perigoso e se defender”.

A Polícia Militar (PM) confirma que o álcool continua sendo uma das principais causas para os acidentes de trânsito, juntamente com o excesso de velocidade - e de piores conseqüências, quando a bebida e a direção estão combinadas.

O movimento nacional contra a veiculação das propagandas tem como base um projeto de lei que está no Congresso e que visa normatizar a bebida alcoólica. O Conselho Regional de Medicina e o Conselho Federal de Medicina, junto com diversas entidades preocupadas com o uso desmedido da bebida alcoólica, têm trabalhado para conseguir aprovar a lei e, dentro das possibilidades, estão coletando assinaturas.

Em Bauru, a estimativa é de recolher aproximadamente 20 mil assinaturas. A partir desta segunda-feira, o projeto será estendido a clubes e outros setores, como escolas. Gobbo aproveita para lembrar que a entidade está aberta para empresas interessadas em participar. Os interessados podem procurar o grupo, que se disponibiliza a debater com os funcionários das empresas e enviar as folhas para assinatura.

Em recente matéria divulgada pelo Jornal da Cidade, a bebida alcoólica coloca a região de Bauru como 3.ª do Estado que mais mortes registra por doenças hepáticas.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação Seade), em cada 100 mil mortes de pessoas do sexo masculino ocorridas entre a faixa etária considerada a mais produtiva (dos 35 aos 59 anos), 29,2 são decorrentes de doenças hepáticas causadas pelo consumo excessivo de álcool.

A região de Bauru fica atrás apenas de Ribeirão Preto (com 44,3 mortes em cada 100 mil) e da região de Marília (com 29,7), coincidentemente, áreas fortes na produção de álcool.

Em entrevista recente à reportagem, a diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, Josiane Fernandes Lozigia Carrapato, afirmou que o alcoolismo está camuflado na sociedade e que dificilmente é admitido pela vítima, que só procura tratamento quando está num estágio muito avançado de dependência, ou seja, depois de dez ou 15 anos bebendo.

No Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), entidade ligada à Secretaria Municipal de Saúde, são registrados cerca de 350 atendimentos mensais. Desse total, aproximadamente 70% são alcoolistas e 30% dependentes de outras drogas. A maioria dos pacientes é do sexo masculino.

Na opinião da diretora da Divisão de Saúde Mental, a classificação de Bauru deve-se à situação socioeconômica e à grande quantidade de estudantes que residem na cidade.

O levantamento da Fundação Seade foi baseado nos atestados de óbito fornecidos pelos cartórios do Estado. Segundo esses dados, entre 1996 e 2002 houve um aumento de 14,8% nas mortes ocorridas devido a problemas do fígado, causadas pelo álcool.

• Serviço

Empresas e entidades interessadas em assinar o termo e receber informações complementares, podem procurar por Renata ou Kátia na delegacia regional do CRM, diariamente, das 8h às 19h, na rua Rio Branco, 31-10. Telefone (14) 3223-7401.

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