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Metalurgia sofre escassez de mão-de-obra

Luly Zonta (com Agência Estado)
| Tempo de leitura: 5 min

O aumento de vendas de veículos no País nas últimas semanas fará com que até o mês de agosto a Mercedes-Benz, em São Bernardo, contrate 108 novos trabalhadores. As admissões foram anunciadas no início da semana e, com elas, somam 700 os empregos criados nesse ano pela empresa. Mas também é crescente a procura por mão-de-obra qualificada.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, nos últimos 14 meses, o crescimento da produção fez com que a montadora empregasse mais de 1.500 pessoas para dar conta no aumento da demanda.

“Os novos contratados serão escolhidos entre pessoas já selecionadas, a maior parte apresentada por companheiros na própria fábrica”, comenta a assessoria de imprensa.

O bom momento vivido pelo setor automotivo atingiu também a General Motors (GM) de São Caetano. Ela anunciou na última terça-feira a contratação, a partir desta data, de 561 novos trabalhadores. Dessas vagas, 420 seriam para novos postos e as 141 restantes para companheiros que prestam serviço em terceiras na empresa, que já havia contratado 200 trabalhadores desde janeiro.

Além das montadoras, levantamento da subseção Dieese do Sindicato feito em 340 autopeças apenas no primeiro trimestre deste ano mostra que estas indústrias contrataram 797 trabalhadores.

As metalúrgicas, principal segmento industrial da região de Sorocaba, também voltaram a contratar e já têm dificuldade para conseguir mão-de-obra qualificada. A Iperfor, de Iperó, fabricante de válvulas especiais para as indústrias automobilística e petroquímica, acaba de contratar 65 pessoas e está abrindo mais 22 vagas. Segundo o gerente industrial da Iperfor, José Augusto Cardoso Costa, os ocupantes de cargos de chefia, engenharia, planejamento e controle de qualidade terão de ser “importados”. “É uma mão-de-obra escassa até em Sorocaba”.

Funcionários para funções técnicas com bom treinamento também estão em falta, segundo ele. “À medida que você passa a exigir experiência e treinamento, a dificuldade aumenta.” Costa atribui a dificuldade ao período de demissões e de estagnação do setor. “Se o trabalhador não está empregado, não treina nem se especializa.”

Em Sorocaba, o Sindicato dos Metalúrgicos contabiliza 950 contratações ou oferta de vagas nas últimas semanas em sua base, que inclui outras 12 cidades. A Bardela, a Luk do Brasil e a Villares também estão criando turnos e admitindo, juntas, cerca de 300 empregados. Para o sindicato, essas empresas já ultrapassaram a fase de expansão das horas extras e não tiveram como evitar as contratações.

Outras indústrias, como a Ina, ZF do Brasil e ZF Lemforder, de autopeças, e a Metso, de máquinas, a Cooper Tools, Inser, Belmetal e Dana, de outros segmentos, devem somar 600 vagas. Pesquisa encomendada pelo sindicato apurou a necessidade de especialização da mão-de-obra nas áreas de informática, mecânica industrial, metrologia, mecatrônica, desenho técnico industrial e de tornos com controle numérico.

Na região de Bauru, na área abrangida pelo Sindicato dos Metalúrgicos - que engloba os municípios de Agudos, Arealva, Bauru e Iacanga e conta com 4 mil profissionais sindicalizados - a situação ainda não é das mais animadoras, mas já apresentou pontos positivos.

A metalurgia na região tem seu potencial focado na indústria de acumuladores (baterias Ajax, Cral e Tudor) e esquadrias (Ebel), que absorvem 50% da mão-de-obra sindicalizada.

Segundo Cândido Augusto Gonçalves Rocha, diretor-presidente do sindicato, mesmo com o episódio do mercúrio a Ajax foi a empresa que mais admitiu nos últimos tempos, aumentando seu quadro funcional de 550 para 900 trabalhadores.

“Além da manutenção dos postos de trabalho, que ficaram sujeitos a serem extintos com o fechamento do setor metalúrgico do Tangarás, a empresa redirecionou atividades e conseguiu gerar novas vagas.”

O sindicalista concorda com a necessidade de especialização para o setor, seja num curso técnico ou de aperfeiçoamento, para acompanhar as tecnologias industriais sem em constante atualização.

Rocha revela que, em virtude das vagas oferecidas nos grandes centros metalúrgicos do Estado, como Sorocaba e a região do ABC, na grande São Paulo o sindicato local estuda a criação de um bolsão de trabalho por meio de um intercâmbio com as grandes empresas do setor.

Especialização

Com 61 anos de atuação, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) já capacitou 16 milhões de profissionais e é considerado uma das maiores instituições do gênero no País. Seus cursos são pré-requisitos para muitas empresas e vagas específicas.

A escola oferece 46 habilitações de nível técnico, com cursos gratuitos de dois anos de duração, que são os mais procurados por profissionais que já concluíram o ensino médio.

No Interior, os cursos que capacitam a atuação na metalurgia podem ser encontrados em cidades-pólo como Bauru (Manutenção de Sistemas Eletromecânicos e Artes Gráficas), Campinas (Alimentos, Eletroeletrônica, Eletrônica - Sistemas de Aquisição e Comunicação de Dados, Instrumentação - Controle de Processos, Mecatrônica e Telecomunicações), Sorocaba (Mecatrônica e Gestão de Processos Industriais), Ribeirão Preto (Eletroeletrônica e Gestão de Processos Industriais) e São José dos Campos (Gestão de Processos Industriais, Desenho de Projetos, Eletroeletrônica e Telecomunicações), que também podem ser encontrados em unidades de centros menores.

De acordo com a assessoria de imprensa do Senai/SP, o próximo processo seletivo será em setembro, para as vagas disponíveis a partir do ano que vem. Nessa modalidade, além do curso gratuito o Senai oferece bolsa-auxílio no valor de um salário mínimo (R$ 260,00), mais vale-transporte e alimentação a uma parcela dos alunos comprovadamente carentes.

Segundo a assessoria, uma estatística compilada a partir de pesquisas aponta que 77,2% dos alunos egressos do cursos técnicos do Senai conseguem emprego após um ano de conclusão do curso.

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