Política

Bauru só implanta uma equipe do PSF

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Nilson Costa (PTB) não cumpriu a promessa feita durante a campanha eleitoral de 2000 de implantar o médico da família em todos os bairros de Bauru. O Programa Saúde da Família (PSF), que tem esse propósito, completa um ano com apenas uma equipe trabalhando no bairro Pousada da Esperança.

Para garantir cobertura integral ao município, outras 63 deveriam ser implementadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que alega escassez de recursos para avançar com o projeto. Há quatro anos, o então candidato e atual chefe do Executivo elegeu a saúde pública como “prioridade absoluta”. Em propaganda eleitoral, disse que iria promover a saúde e não apenas tratar de doenças.

Porém, o tempo passou e a morosidade da administração municipal em cumprir com seus compromissos tornou-se alvo de críticas, que apontam também para a falta de interesse político.

“O PSF é importante porque é preventivo e voltado completamente para o pessoal de baixa renda, mas falta interesse público em implementar. Na Pousada deveria ter outra equipe”, aponta o vereador João Parreira de Miranda (PSDB), que tem recebido reclamações de munícipes quanto a ínfima quantidade de equipes atendendo a cidade.

Concorda com ele o presidente da Associação de Moradores da Pousada da Esperança, Romildo Alves da Silva. Ele se recorda quando o assunto tornou-se mote em campanhas eleitorais anteriores. “A Pousada 1 e 2 tem mais de duas mil famílias. O PSF não atende nem metade do bairro”, lamenta.

Em São José do Rio Preto (200 quilômetros a norte de Bauru), cidade com 384 mil habitantes, sete equipes atendem atualmente 6,13% da população. Em Araçatuba (200 quilômetros a noroeste de Bauru), município cuja população é de 183 mil pessoas, 35 equipes trabalham nos bairros desde 2001.

Já em Agudos (18 quilômetros a sudeste de Bauru), um terço dos cerca de 33 mil habitantes deve ser atendido por duas equipes do PSF, lançado na semana passada. Na cidade de Marília (100 quilômetros a oeste de Bauru, com cerca de 200 mil habitantes), o total de equipes chega a 23, diz Parreira, que por meio de ofício, requereu informações à prefeitura sobre o andamento do programa.

Em resposta, soube que 1.000 famílias são atendidas por mês. O número é preconizado pelo Ministério da Saúde (MS), cuja assessoria de imprensa considera indício de problema o fato de Bauru ter apenas uma equipe.

Custeio

De acordo com o ministério, a União libera mensalmente ao município de Bauru R$ 332.993,00 para custeio da Atenção Básica, ou seja, para programas preventivos de saúde, nos quais o PSF pode ser incluído. No entanto, a informação não é confirmada pelo secretário municipal da Saúde, Hanna Saab. Ele diz que o Ministério da Saúde repassa recursos específicos para a manutenção da equipe do PSF.

De acordo com o secretário, o valor encaminhado pela União corresponde a apenas 22% do total necessário para manter o programa, sendo que o município garante contrapartida de 78%, o equivalente a R$ 19 mil mensais.

“Temos interesse (em aumentar o número de equipes), mas não temos dinheiro. Gastaríamos cerca de R$ 15 milhões (para implementar as outras 63). Além disso, não temos médico generalista. Os que estão na rede não querem (assumir o PSF) porque a carga horária é de 8 horas de trabalho diário (o que prejudicaria o atendimento no consultório)”, explica Saab.

Mesmo assim, ele informa que a planta do prédio onde será instalada a segunda unidade de Bauru, no Parque Ferradura Mirim, está pronta. A obra, que deve custar aos cofres municipais R$ 200 mil, não tem garantia de ser concluída na gestão do prefeito Nilson Costa, que não retornou as ligações do JC para comentar o assunto.

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