Bairros

Leishmaniose mata criança de 1 ano

Ieda Rodrigues (com Redação)
| Tempo de leitura: 3 min

Um menino de 1 ano, de uma família que mora no Parque Jaraguá, em Bauru, morreu na madrugada de ontem devido a complicações da leishmaniose visceral humana. Ele foi a terceira vítima fatal da doença desde setembro do ano passado, quando a moléstia foi registrada pela primeira vez na cidade.

A assessoria de imprensa do Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo informa que o garoto estava recebendo medicação específica para o tratamento da leishmaniose, mas não teve uma boa evolução do quadro clínico. Pacientes com a doença apresentam anemia profunda, o que foi o caso dele.

Além disso, ele desenvolveu uma infecção grave, o que já é esperado nesses casos, de acordo com o hospital. Neste ano, foram registrados dez casos de leishmaniose em humanos em Bauru. Em 2003, foram 15, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. A doença é transmitida a cães e humanos pelo mosquito palha, que procria-se em material em decomposição.

Visando agilizar o trabalho de combate à leishmaniose, o prefeito Nilson Cota (PTB) decretou estado de emergência em Bauru no último dia 3. A Secretaria Municipal de Saúde montou um mutirão de limpeza, com a participação de outras secretarias, para atuar nas regiões com maior número de casos da doença e mais locais propícios à proliferação do mosquito.

O secretário municipal de Saúde, Hanna Saab, não foi encontrado pelo JC ontem à tarde para comentar quanto de lixo foi retirado das ruas e se o mutirão está surtindo o efeito esperado. Antônio Carlos de Oliveira, que mora no Parque Jaraguá, diz que há muito lixo em terrenos baldios, em quintais e até em calçadas das ruas do bairro.

“Aqui a gente não precisa andar muito para ver montes e montes de lixo. Nem todo mundo cuida do quintal e os terrenos baldios viram depósito de lixo”, comenta. Carlos Alberto Miranda, que mora no Parque Roosevelt, conta que o mutirão feito pela prefeitura no bairro não adiantou muito. “Tiraram lixo, mas já estão jogando de novo”, comenta.

Além dos casos de leishmaniose em humanos, neste ano o DSC comprovou a doença em mais de 200 cães dos quase 2 mil que tiveram sangue coletado para exame. Desde o início do ano, mais de 500 animais foram sacrificados por causa da doença. Apesar da gravidade da situação, a Secretaria de Saúde não recolhe cães com suspeita da doença porque não tem espaço adequado para abrigá-los.

A prefeitura retomou o canil que há vários anos vinha sendo usado pela União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) e anunciou que vai reformá-lo para recolher os animais com suspeita da doença e os errantes.

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Menino ficou internado quase um mês no HE

O Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, diagnosticou leishmaniose no menino que morreu ontem no dia 15 do mês passado, quando ele deu entrada no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo. Desde o dia 22, ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Em conseqüência de uma infecção grave, surgiram novas complicações, como insuficiência renal aguda, pneumonia e insuficiência respiratória, informa a assessoria de imprensa do HE. O garoto precisou de aparelho para manter a respiração. Porém, sofreu insuficiência cardíaca e distúrbio de coagulação culminando com a disfunção de múltiplos órgãos e sistemas - causas anotadas no atestado de óbito do paciente.

Durante o período em que esteve em tratamento na UTI, o menino também foi submetido a uma cirurgia na região peritonial (parte mais baixa do abdome, inclusive genitais). A criança era o oitovo filho de uma família carente e ficava dias sem receber visita, segundo a assessoria de imprensa do HE.

No final de semana passado, os médicos convocaram a família por três vezes para avisar que a criança estava muito mal. A equipe de assistência social do hospital teve dificuldades em localizar os familiares para informar sobre o óbito. A mãe estava na Maternidade Santa Isabel tendo mais um filho, o nono.

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