Economia & Negócios

Corte de subsídio ao açúcar favorece mercado brasileiro

Por Murilo Murça de Carvalho | Correspondente JC em Brasília
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - A proposta de corte dos subsídios da União Européia (UE) ao açúcar animou os participantes da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool, reunida ontem, em Brasília, sob a presidência do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Também participaram do encontro o secretário-executivo da Câmara Setorial, Ângelo Bressan, o presidente da Câmara, Luiz Carlos Carvalho, e o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho.

Para Rodrigues, a medida abre uma “importantíssima janela” para o setor sucroalcooleiro do Brasil buscar a conquista de um mercado potencial de dois milhões de toneladas do produto que deixarão de ser exportados pela Europa, talvez já a partir do próximo ano.

Ontem, a Comissão Européia aprovou projeto que faz uma revisão de sua política para a produção de açúcar, recomendando um corte de subsídios. Haverá cortes graduais no volume total de produção subsidiada, que passará de 17,4 milhões de toneladas hoje para 14,6 milhões em quatro anos. O projeto também contempla a redução das exportações subvencionadas, que será de 2 milhões de toneladas (de 2,4 milhões de toneladas para 400 mil).

Para o presidente da Unica, a proposta da Comissão Européia representa “uma verdadeira queda da Bastilha. “É o desmonte de um modelo absolutamente arcaico que funciona desde Napoleão Bonaparte, contra todas as regras modernas de comércio internacional e que certamente abre caminho para a elevada competitividade da produção brasileira. Abre um espaço importante para nós, mas ainda depende de aprovação e regulamentação dos detalhes, que não conhecemos”, declarou Carvalho.

Governo e iniciativa privada concordaram que o painel requerido pelo Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a União Européia em relação ao açúcar certamente influiu na postura européia. Rodrigues interpretou a medida dos europeus como preventiva, diante da grande possibilidade de que o Brasil venha a ser vencedor (junto com Austrália) na OMC, provocando uma redução muito maior que o corte de subsídios feito pela UE.

O ministro da Agricultura salientou, porém, que o corte de subsídios vai apenas abrir um mercado de aproximadamente dois milhões de toneladas de açúcar, mas que terá que ser disputado com outros produtores. “Mas o Brasil é hoje, disparado, o País mais competitivo em custo e qualidade na produção de açúcar e álcool”. O ministro não confirmou se o Brasil manterá ou não o painel junto à OMC, após a medida anunciada.

Para Ângelo Bressan, a medida também antecipa as mudanças que estão sendo planejadas para a Política Agrícola Comum dos 15 membros da UE, após a admissão de outros dez, do leste europeu, em parte respondendo às pressões internas e internacionais. Metade dos subsídios europeus à exportação são destinados ao açúcar, que tem um custo de aproximadamente US$ 480 a tonelada e um preço interno de US$ 600, contra cotação internacional de US$ 200.

Rodrigues admitiu que a falta de acordo dentro do Mercosul, principalmente pelas barreiras da Argentina ao açúcar brasileiro, enfraquece a posição do Mercosul nas negociações com a Europa.

O ministro da Agricultura informou que já manteve uma reunião com o embaixador argentino no Brasil, com quem acertou a criação de três grupos de trabalho com técnicos governamentais, para equacionar os problemas da aftosa, do açúcar e da cadeia da soja.

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Citricultura

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, instala amanhã pela manhã, em Bebedouro, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Citricultura, e à tarde encerra, em Piracicaba, o Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira. À noite, Rodrigues receberá o título de Cidadão Piracicabano.

O ministro da Agricultura afirmou em Brasília, ontem, que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) incluirá em breve a laranja entre os produtos para os quais já faz previsão de safra, cumprindo promessa que fez aos produtores da região durante a última Agrishow, em Ribeirão Preto.

O Brasil é o maior produtor e exportador de cítricos e de suco de laranja do mundo, cultura que emprega 400 mil pessoas e movimenta US$ 5 bilhões por ano, estando concentrada em São Paulo e Minas Gerais. O que já representa e o potencial do parque cítrico nacional, segundo Rodrigues, justificam os estudos para estimativa de safras do setor, o que é fundamental, a seu ver, para evitar distorções nos preços do produto e manipulações do mercado mundial. O levantamento, assim como já se faz com o café, será feito por intermédio de imagens de satélite.

A instalação da Câmara Setorial da Citricultura será na sede da Estação Experimental da Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo (Coopercitrus). No encontro, a portas fechadas, serão analisados cenários e tendências do setor, assim como seus problemas emergenciais.

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