Li nesta A tribuna do leitor a seguinte pérola: O governo Alckmin reajustou todos os servidores estaduais, menos as universidades. Por que será?
A linguagem abstrusa transformou a instituição universidade em gente. Além disso, usa-se e abusa-se da marotagem de deixar no ar insinuações que não se pode provar, mas se pretende passar por verdade.
Ponto um: basta ir lendo o Jornal da Cidade para se informar sobre greves de várias categorias de servidores públicos estaduais, algumas das quais só terminaram após reajustes salariais obtidos pelas lutas dos respectivos trabalhadores. Ponto dois: montado na máquina do estado economicamente mais desenvolvido do Brasil, o governo Alckmin torpedeia políticas do governo Lula que visam a introdução de um modelo de desenvolvimento sustentado para o País. Haja vista a política de, seletivamente, desonerar-se setores em relação ao pagamento de ICMS, além de não combater a sonegação. Isso favorece alguns setores industriais minoritários (mas, politicamente, muito mais poderosos que o setor comercial), impõe gargalos para um adequado crescimento do comércio e, sobretudo, impede que a geração de empregos se dê em taxas mais elevadas. Demonstrar essa afirmação exige mais espaço que o aqui é permitido, mas basta ir-se lendo as matérias de economia publicadas no JC e, com um mínimo de competência de raciocínio, verificar sua validade, ao invés de ficar-se arrotando preconceitos em defesa de interesses individualistas. Ponto três: vale lembrar, aos que se fingem de esquecidos, a relação entre arrecadação de ICMS e reajustes salariais de servidores estaduais. Ponto quatro: o “zeroaldo porcento” bondosamente oferecido aos servidores das universidades expressa, entre outras coisas, a atual política de expansão de vagas sem qualidade no ensino público superior paulista. Faz parte da prática do governo Alckmin, que agora visa estender, para nível superior, a implantação de escolas pobres para os pobres.
Geraldo A. Bergamo - professor da Unesp - RG 5.538.451