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Catalisador evita carro 'sujão'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Os catalisadores desempenham uma função essencial

nos automóveis. Eles são os responsáveis por transformar os gases tóxicos provenientes da combustão do motor em inofensivos ao meio ambiente. Apesar de toda essa importância, o equipamento é um dos mais abandonados pelos motoristas quando o assunto é manutenção.

“Infelizmente, ninguém quer saber se seu veículo está

poluindo o meio ambiente. Muitos só pensam se o produto

é ou não caro para o bolso e nada mais. Acho que essa situação só mudará quando a inspeção veicultar tornar-se obrigatória no País, pois carros que não respeitarem os padrões de emissão de poluentes não poderão ser licenciados”, considera o engenheiro mecânico bauruense Marcos Serra Negra Camerini.

No entanto, ele pondera que o alto custo do equipamento

- varia entre R$ 270,00 a R$ 3.000,00, dependendo

do modelo do automóvel - colabora para a falta de

mentalidade ambiental dos donos de carros. “É um componente caro porque é composto de metais nobres, como o paládio, nióbio, rádio e molibidênio, extremamente raros de serem encontrados na natureza”, explica.

Apesar disso, Camerini sustenta que andar com o catalisador em ordem gera vários benefícios. O primeiro é, logicamente, ambiental. “Desta forma, poluentes como o monóxido de carbono, hidrocarbonetos

e óxido de nitrogênio deixam de ser lançados diretamente na atmosfera”, esclarece o engenheiro.

Outra vantagem é que o consumo de combustível também

será menor, principalmente para os carros equipados

com injeção eletrônica. “Rodar com um catalisador

ineficiente ou inoperante aumentará o gasto de gasolina

ou álcool, pois ele forçará o sistema de injeção a trabalhar em modo de emergência, enriquecendo a mistura

do combustível e, conseqüentemente, elevando o consumo”, destaca.

Mas é possível saber quando o catalisador encontra-

se nestas condições? Segundo o engenheiro mecânico,

há várias maneiras para se chegar a este “veredito”.

Camerini orienta que, geralmente, a vida útil do equipamento varia entre sete anos a 100 mil quilômetros. “O proprietário do automóvel deve basear-se pelo que chegar primeiro”, ensina.

Entretanto, alguns itens são agravantes para abreviar a

“saúde” dos catalisadores automotivos. A utilização de

um combustível de má qualidade ou com excesso de álcool

estão entre as principais causas. “Eles são fabricados

para operar com combustíveis bons, sem adulterações.

Além disso, há carros que, conforme o ano, o catalisador foi produzido para atuar com quantias menores que os atuais 25% de álcool na composição da gasolina”, alerta, para depois acrescentar:

“Muitos catalisadores são otimizados para trabalhar

com mistura máxima de 20% de álcool na gasolina. Com os

25% de hoje inicia-se separação de fases entre eles. Assim, ele deteriora-se e perde eficiência. Daí a necessidade dos fabricantes reforçarem a composição do equipamento à gasolina atual.”

Por isso, Camerini recomenda atenção para o ano

do veículo, principalmente os fabricados desde o início

da década de 90. “O catalisador é item obrigatório desde 1997, mas antes desse período muitos carros já o possuíam. Assim, se há carros desta época rodando com o

equipamento original, provavelmente ele não presta

mais”, frisa o engenheiro.

Ele ensina, ainda, a fazer uma inspeção no catalisador a fim de checar se o mesmo ainda tem “lenha para queimar”. Camerini pede atenção redobrada com barulhos e perfurações. “Com o motor frio, bata embaixo dele. Se fizer ruídos semelhante a cacos dentro de uma lata, substitua-o, pois pode ter danificado-se por batidas ou vibrações ”, afirma.

Neste caso, ele recomenda cuidado na hora da aquisição

do catalisador. “Há equipamentos falsos no mercado”,

adverte. “Mas há meios fáceis de identificar esses produtos”, complementa.

A maneira principal é através da diferença de peso entre o original e o falsificado. “O falso não possui a cerâmica interna, composta pelos metais responsáveis pela conversão dos gases. O interior é preenchido com palha de aço ou um pedaço de tubo do escapamento soldado ao corpo da cápsula metálica, o que confere

peso, consistência e volume semelhantes à peça original”, finaliza Camerini.

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