Economia & Negócios

Para Vaz, só obra gera emprego rápido

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O candidato à presidência da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) pela chapa de situação, Cláudio Vaz, disse ontem, em Bauru, que somente o setor da construção civil pode dar a resposta rápida que o País precisa para a geração de emprego em grande escala. Ele defendeu que o setor seja alvo de investimento prioritário no Estado para que possam surgir os resultados de crescimento que a economia precisa e espera daqui para frente.

“A indústria de transformação pode gerar 50 mil empregos por ano, o que é bom, mas não resolve, apenas ajuda. Mas só a construção civil pode gerar emprego na casa do milhão, que é a carência do País, multiplicar as oportunidades nessa escala”, comentou em reunião no auditório do Ciesp, ontem, para uma platéia de empresários de diferentes segmentos da cadeia produtiva regional.

“A Fundação Getúlio Vargas apresentou um estudo recente demonstrando que a cada R$ 1 milhão investido geramos 87 empregos. Portanto, a prioridade para o País atingir os níveis de emprego que necessita é através de obras de saneamento, estradas, habitação. Resolvemos nossos problemas de infra-estrutura e atraímos emprego aos milhares”, reforça.

A abordagem do empresário em Bauru vem na mesma semana em que uma decisão da Justiça Federal proíbe a Caixa Econômica Federal (CEF) de liberar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para empreendimentos habitacionais nas cidades que não contam com solução para o tratamento de esgoto. A decisão judicial atinge 41 cidades da regional da CEF.

“Não conheço a decisão em particular. Mas o desemprego alcança proporções imensas em São Paulo, com mais de dois milhões sem trabalho. Qualquer limitação de uso de um recurso nesse setor vem em hora imprópria. Agora, é claro que ninguém quer o crescimento econômico que modifique de forma irreparável o meio ambiente. É preciso encontrar uma solução porque os prejuízos são enormes, e proibir não é a solução”, comenta Vaz.

Em seu discurso aos empresários, Vaz também ponderou sobre o deslocamento da concentração industrial da Capital para o Interior. “Hoje apenas 35% da indústria está ao redor da Fiesp na Capital. A instalação industrial no Interior vai continuar se acentuando”, cita.

Ele também avaliou que as exportações vão continuar tendo resultado positivo, que a economia tende a manter os sinais de retomada do crescimento no País e no mundo e que, aqui, em particular, a performance continua dependendo da combinação entre a taxa de juros, emprego e renda. O empresário voltou a criticar a pressão da carga tributária sobre a indústria no Brasil.

Pelo terceiro bimestre seguido, a Receita Federal obteve excesso de arrecadação em relação ao previsto pelo governo federal. O destaque - bom para a União e ruim para quem produz - ficou por conta da Contribuição de Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

No acumulado do ano, a Receita já arrecadou R$ 5,9 bilhões a mais do que projetou. Foram R$ 138,2 bilhões, contra R$ 132,2 bilhões estimados.

Arrecadação

O presidente cessante da Fiesp, Horácio Lafer Piva, voltou a apontar a pressão dos tributos sobre a economia. “Nós apoiamos o fim da cumulatividade nos impostos, e o governo demonstrou que usaria o PIS e a Cofins para aumentar sua arrecadação, colocando essas cobranças em um patamar excessivamente alto. Nós apontamos que o governo estava errado na calibragem, mas eles insistiram e o excesso de arrecadação vem, infelizmente, comprovar que isso aconteceu”, comenta.

Piva reclama que o governo vem postergando medidas de equilíbrio na aplicação das cobranças. “O governo continua dizendo que no mês que vem vai dar uma comparação melhor e com isso, lamento, novamente, ocorre uma transferência do setor produtivo para o setor público. É uma forma errada de conduzir o País”, acrescenta.

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Apoio da situação

Horácio Lafer Piva veio a Bauru apoiar a eleição de Cláudio Vaz para ocupar seu cargo no comando da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). “É um empresário com reputação no meio industrial e na classe política, sabe jogar em time, conhece o sistema e, por isso, ao ser escolhido já vai sair a campo operando na Fiesp”, elencou Piva.

Os representantes da chapa situacionista foram recebidos ontem pelos dirigentes locais do Ciesp. O diretor regional da entidade, José Luiz Miranda Simonelli, integra o grupo de Vaz na eleição. A chapa conta com o apoio de cerca de 2/3 dos representantes com direito a voto na disputa pela presidência da Fiesp.

No Ciesp, Vaz cita o apoio de 38 das 41 diretorias regionais. “Nós temos 123 diretores eleitos do Ciesp e eu tenho o apoio escrito e assinado de 112 deles.

Cláudio Vaz é industrial do setor de autopeças há mais de 30 anos, acionista da Raco, marca especializada na produção de componentes para sistema de ar-condicionado e refrigeração de veículos, com sede em São Carlos (SP).

Desde 1978, Vaz também participa do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Ele presidiu a entidade de 1992 a 1994.

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