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Censura flexível de filme divide pais

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

A flexibilização da censura de filmes, espetáculos e peças de teatros, definida por portaria assinada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos na semana passada, está deixando pais acuados contra a parede na hora de autorizar ou proibir os filhos a assistir em uma película ou um show que pode ter conteúdo inadequado para a idade dos pequenos – ou nem tão pequenos assim.

A portaria estabelece critérios detalhados para a classificação de filmes em cinemas, vídeo e DVD, assim como peças de teatros, shows e espetáculos. Entre as principais mudanças, a nova norma permite que crianças e adolescentes entrem em salas de cinema e casas de espetáculos cuja atração tenha recebido classificação superior à sua faixa etária, desde que na companhia dos pais ou responsável com mais de 18 anos e autorizado a acompanhar os filhos.

A assistente social Vera Klaus, mãe de Gabriel, 9 anos, e João Paulo, 12 anos, comenta que os filhos são aficionados por filmes, mas os próprios garotos sabem que só podem assistir produções adequadas para sua idade. “Eu tento sempre assistir aos filmes junto com eles. Na locadora, são eles que escolhem, mas acabam pegando filmes como ‘O Senhor dos Anéis’ ou outros do mesmo tipo. Eles não vão atrás de filmes que ficam muito fora de sua faixa etária”, aponta.

Já o segurança Reginaldo Thomasi, pai de Marlon, 9 anos, afirma que vê necessidade em controlar o que o filho assiste. “Não pode cortar e proibir de uma vez, senão a curiosidade aumenta”, diz. Ele afirma que sempre procura ler a sinopse dos filmes antes do filho, para não ter nenhuma surpresa na hora de assistir. “Para determinado tipo de filme, eu acho que ele ainda é muito novo, mesmo que a gente assista junto”, define, na fila para assistir “Homem-Aranha 2”, na semana passada.

A nova portaria para a classificação dos filmes entra em vigor abrindo a possibilidade dos pais permitirem o acesso de filhos com idade entre 10 e 15 anos a salas cujas obras em exibição sejam recomendadas a uma faixa etária imediatamente superior. Por outro lado, o artigo 3º deixa claro que não é permitido, em qualquer hipótese, o acesso de crianças e adolescentes a filmes ou espetáculos com classificação “Inadequado para menores de 18 anos”.

O principal objetivo das mudanças propostas pelo Ministério da Justiça – órgão responsável pela classificação de filmes, programas de TV e jogos eletrônicos – é a divisão da responsabilidade pelos conteúdos assistidos por menores de idade entre o Estado, a família e a sociedade.

A professora Terezinha Bernardes concorda que a responsabilidade dos pais no momento de selecionar o que os filhos vão assistir nunca deve deixar de existir. Mãe de Mariana, 9 anos, e Bárbara, 5 anos, ela ressalta que filmes e espetáculos que têm grande veiculação na mídia chamam a atenção das crianças e adolescentes, e ao invés de proibir, o caminho é a orientação.

“Tem filmes que têm cenas fortes, com violência, mas as crianças querem assistir porque os amiguinhos comentam ou porque viram o trailer na TV. A gente procura evitar e inventar um programa diferente, ao invés de expor as crianças à violência dos filmes”, indica Terezinha.

Na fila do cinema para assistir “Shrek 2”, a dona de casa Edna Mendes, mãe de Ana Carolina, 10 anos, e Bárbara, 8 anos, garante que toma muito cuidado ao escolher um programa com as crianças. “Tem filmes que realmente não são legais para a idade das meninas. Eu prefiro que elas assistam a programação da TV Cultura ou desenhos como Pica-Pau e Tom & Jerry. O filme do Shrek, eu já acho mais legal, tem uma história divertida e mais infantil.”

A pedagoga Marisa Pereira Santos, coordenadora da curso de pedagogia da Universidade do Sagrado Coração (USC), explica que os pais deveriam assistir aos filmes e espetáculos junto ou até antes dos filhos, mesmo com a classificação indicativa de adequação à idade das crianças ou adolescentes. “Além disso, o ideal é trabalhar com a didática, retirar alguns pontos significativos do filme para fortalecer um conteúdo, para trabalhar em situações de casa ou da escola, enfim, fazer do filme um ponto de diálogo e aprendizagem”, orienta.

No caso de insistência das crianças para assistir um filme que os pais acham não ser adequado para sua idade, Marisa sugere que a sessão seja acompanhada de muito diálogo. “O ideal seria substituir por outro filme, mas se as crianças são irredutíveis, o melhor é assistir ao filme com eles, conversando sobre o que eles estão vendo.”

De acordo com a pedagoga, qualquer atividade em que os pais puderem estar ao lado dos filhos será lucrativa. “Nem todos têm tempo e condições de fazer um trabalho assim, mas é um processo longo de orientação das crianças, que até mesmo pode ser um ganho na tentativa de diminuir a violência e na questão dos limites da relação entre pais e filhos”, conclui.

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