O psicólogo José Luís Cremonesi analisa que a violência na adolescência tem relação com o aumento nos níveis de testosterona no organismo dos garotos, que provoca, do ponto de vista psicológico, uma sensação de onipotência. “Ele se julga todo poderoso”, explica.
O comportamento agressivo é ampliado quando o adolescente faz parte de um ambiente familiar conturbado, onde há muita repressão e autoritarismo da parte dos pais, segundo o psicólogo. A partir disso, os adolescentes acabam formando grupos com outros jovens que possuem ou incentivam as mesmas atitudes, inclusive o comportamento agressivo e anti-social.
Nas baladas, na opinião de Cremonesi, o combustível para a agressividade vir à tona é a bebida. “O uso de álcool e de drogas são os elementos mais importantes. O álcool tira a auto-censura normal que todos temos. O que o indivíduo faz alcoolizado – nem precisa estar embriagado – ele não faria em condições normais”, indica.
Os pais devem ficar atentos também para alguns desvios de conduta que os filhos podem apresentar logo na infância e que o psicólogo aponta como mais problemáticos do que uma simples birra ou o comportamento desafiador da adolescência. “Há crianças que apresentam resistência à autoridade, desobediência, agressão violenta em grupo ou isoladas, comportamento incendiário e crueldade com animais. Isso é indício de coisas que virão no futuro, e o melhor caminho é tentar uma terapia”, recomenda o psicólogo.
De acordo com o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1ª Companhia da PM, não há incidência de registros de confusões ou agressões em casas noturnas da cidade, mas ele não descarta que o problema exista. “Sempre ouvimos falar que houve brigas, mas elas não chegam ao conhecimento da polícia. São problemas que ocorrem em âmbito interno e os envolvidos acabam resolvendo entre eles mesmos. Só chega à polícia quando o assunto é realmente grave e quando a vítima decide registrar a ocorrência, o que é recomendável”, diz.
Por conta das confusões, é constante a presença de policiais militares fazendo patrulhamento na saída das baladas. Meira alega que a circulação de policiais em locais freqüentados pelos jovens, como as escolas ou mesmo as proximidades dos bares e casas noturnas, contribuem para que a violência seja inibida.