Reduzir o sedentarismo e os níveis de doenças como hipertensão, diabetes, obesidade e alcoolismo é o desafio proposto pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) junto à comunidade indígena terena de Avaí. O trabalho começa nesta semana com cursos teóricos e práticos ministrados por uma equipe multidisciplinar.
A ação foi desencadeada diante do resultado de um questionário, aplicado em 2003, preparado para avaliar as condições de saúde e de risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT). O levantamento constatou, por exemplo, que a obesidade atinge 20% da população das aldeias e o tabagismo, 17,8%.
O Pólo Base Bauru da Funasa não apresentou levantamentos anteriores, mas informa que o número de doentes acometidos de hipertensão, obesidade e câncer, além de outras doenças crônicas, vem aumentando gradativamente. Entre as conseqüências, esta realidade acarreta prejuízos à qualidade de vida, incapacidade física, mortes precoces e aumento de gastos públicos.
Na opinião da enfermeira Eunice Pinheiro de Lima Orti, responsável pelo Pólo Base Bauru, a ocorrência desses agravos nos índices pode indicar que as mudanças na forma de viver das populações indígenas estejam associadas ao surgimento de doenças crônicas.
Entre as mudanças mencionadas destacam-se variações no padrão alimentar, no qual hoje predominam produtos industrializados, sedentarismo no trabalho e estresse muitas vezes motivado por dificuldades de integração e choque cultural.
“A mudança dos indicadores de saúde nestas populações depende de modificações ambientais e comportamentais, o que requer um amplo programa de prevenção e não apenas de controle”, vincula a enfermeira.
O programa que será desenvolvido em Avaí integra o projeto Prevenção de Doenças Crônicas não Transmissíveis e Promoção de Saúde em Populações Indígenas do Oeste do Estado de São Paulo, que teve início em 2002.
Os cursos, que nesta fase incluirão nutrição e produção orgânica de alimentos, serão realizados entre os próximos dias 20 e 24. Participarão professores, merendeiras, caciques, equipes de saúde, conselheiros da área e chefe de postos das aldeias Tereguá, Nimuendaju, Pyau, Ekeruvá e Kopenoty.